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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu

Sabe, eu quero parar. Eu quero parar de sofrer. Quero parar de sentir medo. Parar de sentir dor. De confundir respeito com ódio e com rancor... Eu quero deixar de lado tudo que não me faz bem. Quero olhar e estar errado sem me sentir um refém, um monstro, um traidor... Quero parar os dramas, as loucuras o desmedimento! O exagero com pouco mal e o desprezo ao bom momento! Quero parar de ser fiel a uma causa que eu não abraço, quero ser livre pelo espaço pra sentir o vento bater! Quero sentir ele me acertar, me levar, me comover... Quero sentir o amanhecer... o sol que vem e que toca... quero sentir a alma que evoca... meu beijo... meu amor!
Quero deixar de lado esse ódio! Quero esquecer dessa dor, não é minha! Quero esquecer desse medo, Amor, me abraça, anjinha!
Me deixa, me larga, me esquece! Me apaga, pára, desaparece! Quero perto de mim os meus sonhos, quero perto de mim a paixão de sentir esse mundo risonho se isso é sim ou se é não... Quero sorrir quando tropeçar! Fechar os olhos sem deixar de lutar! Quero poder sofrer e poder chorar sem mentiras... Quero ser pleno... quero ser ameno... quero ser sereno... o menino pequeno que eu sempre fui... que olhava as estrelas e inventava brincadeiras... tantas besteiras... lindas besteiras!
Eu não quero deixar de ser o que eu sou. Não, quero ser eu! Eu! Só eu! Eu sei que é complicado, mas uma rosa me entende! Ela me compreende!
Quero chegar ao fim do mundo! Quero vagar sem ter um rumo! Sair pra passear e esquecer que preciso voltar! Rodar, rodar, rodar, rodar! Sair com meu Amor, sair sem nem pensar! Andar, ver uma rosa. Nadar ver todo o mar... Ah, mar, Amar, Ah, mar!
Eu quero simplesmente ser eu.
Não quero mais que um direito.

Sou Eu! Sou Eu! Sou Eu!

Matheus Santos Rodrigues Silva

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Esquecendo do mundo

Abro os olhos... lá está ela!
Olhos fechados. Corpo leve. Esperando por algo...
Eu poderia ficar aqui... eternamente... Olhando pra você enquanto o sol tem preguiça...
Nunca seria suficiente...
Luz? Não preciso de mais nenhuma!
Não precisamos de mais do que a nossa!
Ela abre os olhos e procura por algo... Será por mim?
Eu não sei dizer como eu cheguei aqui, mas sei que não importa...
Ela me vê e sorri... Não há nada mais lindo...
Eu esqueço que existe um mundo ao redor e que existe tempo e que existem metros...
Eu não consigo pensar em mais nada...
E nós nos olhamos.
Nós simplesmente nos olhamos.
E tudo está dito e tudo está entendido.
Nos levantamos.
Ela é a primeira pessoa que vejo e a última que vou ver!
Andamos...
Falamos sobre tudo que aconteceu e que vai acontecer...
Sobre nós...
Andamos...

Matheus Santos Rodrigues Silva


s2 Para Priscila Leão Guimarães s2

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fingir

Fingir é um ato bem comum entre os seres humanos. Principalmente os de hoje. Nós fingimos muito. Acho que já tornamos isso um hábito. Mas as pessoas não fingem igual.
Algumas pessoas fingem que estão com problemas, numa situação difícil, que estão mal. Talvez pra conseguir atenção, talvez pra conseguir favores ou se livrar de responsabilidades. Ou talvez pra que simplesmente sintam pena. Outras pessoas fingem que estão bem. Pra não cair em fraqueza ou não incomodar as outras pessoas. Ou talvez pra que possam seguir. As vezes as pessoas precisam fingir que estão bem pra não ficarem pior. Outras pessoas fingem que não têm algo que têm, pra poder depois lembrar do fato de terem e ficarem felizes com isso.  Outras pessoas fingem que têm algo que não têm, porque deve ser um algo muito importante pra elas. Outras pessoas fingem que se importam, outras que não. As primeiras por prudência, as últimas também. Outras pessoas fingem que são algo que na verdade não são. As vezes pra tornar as coisas mais fáceis, as vezes porque é estritamente necessário, as vezes pela já citada prudência e as vezes por interesse em algum ganho.


As pessoas dizem que eu deveria fingir mais. Que eu sou muito eu. Que eu preciso aprender novas formas de esconder, de enganar, iludir, mentir. Me dizem que é necessário pra se viver nesse "mundo cão". Mas é verdade que existem algumas outras pessoas que me disseram o contrário, mas aí eu descubro que elas estavam fingindo. Talvez por diversão, talvez pra tentar manter a minha crença de que não é preciso fingir. Talvez porque elas precisem acreditar nisso, mesmo que não o façam. As vezes as pessoas precisam que outras pessoas façam certas coisas que elas não fazem pra poder acreditar que há outro caminho, mesmo que elas não o sigam, mas ele está lá.


Eu aprendi essa história de fingir. Não com a perícia que queria ou deveria querer, mas aprendi. O fingimento tem várias faces, sabe? As vezes ele te eleva. Você se sente melhor fingindo. Você sente que está avançando, que está aprendendo, que está se protegendo. As vezes é um troço monótono. Porque tem gente tão acostumada com o fingir, que por menos eficiente que ele seja, elas acreditam. É triste jogar um véu fino sobre a verdade na esperança que alguém simplesmente o retire e ver que ninguém faz isso. Eu não sei exatamente porque, mas desconfio que tenha algo haver com medos, insegurança e até falta de interesse mesmo. É, agente tem medo a verdade. Certa vez, me disseram que a verdade era uma bela mulher nua do outro lado do rio, que quer chegar à margem de cá, mas que ninguém tem coragem de atravessá-la em seu barco por medo das consequências de serem vistos com uma mulher completamente nua numa travessia dessas. Eu confesso que nunca entendi isso muito bem. Afinal, ir buscar uma mulher pelada do outro lado de um rio deveria ser uma tarefa tentadora, principalmente pra nós homens, mas, enfim...
Voltando as faces do fingimento, ele as vezes pode ser bastante doloroso. Tanto pra pessoa que finge quanto pra quem vê o fingimento(as pessoas normalmente se revezam nesses papéis, ou atuam em conjunto). Aquele que vê o fingimento se sente ou traído ou desvalorizado ou que o outro não confia o suficiente nele. O que finge, não é sempre, mas pode se sentir ferido por não ter segurança o suficiente para não fingir. Ou por ser forçado a fingir. É, as vezes você é forçado a fingir, dissimular, esconder um pouco as coisas. Me dizem que sem isso as coisas perdem a graça, mas é realmente doloroso fingir que se sente o que não se sente ou o contrário.


Eu não acho que o fingimento torne as coisas melhores, mas ao que parece sou voto vencido. Não consigo entender como pode ser bom o estado de desconfiança completa pra o qual nosso mundo caminha. As pessoas nunca têm a certeza de nada. Nem mesmo aquela que brota do peito e não da mente. Existe sempre a dúvida se aquele ao seu lado é o que você acha que ele é. Sempre existe a dúvida se os acontecimentos da sua vida são reais ou puro fingimento(porque os acontecimentos das nossas vidas se constroem através de nós e dos nossos relacionamentos).


Esse fingimento e essa incerteza não são coisas recentes, eles vêm de muito tempo. Acho que foi inspirado nisso que Augusto dos Anjos escreveu o poema Versos íntimos e disse:


"Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!"


Isso tem se intensificado tanto que hoje em dia as pessoas não desconfiam só do fingimento do outro, mas até do próprio. As vezes elas passam tanto tempo no fingir, que o que são se perde. Torna-se algo que elas nem se lembram mais. Torna-se um grande buraco vazio. 


Se você que me lê não acha que estamos vivendo num mundo assim, pare e faça uma simples pergunta: Será que eu(eu que te escrevo) não passei este texto inteiro fingindo?


Matheus Santos Rodrigues Silva





sábado, 11 de setembro de 2010

Musa

Assustado eu vejo o mundo inteiro se desfazer em cinzas... de novo...
Os sons que reverberam em minha mente... devaneios de uma doença antiga... confusas notas deixadas por alguém que foi embora...
Está tudo desmoronando... é o fim... olho em volta e tudo que eu vejo está se esvaindo... é tudo pó...
Eu não consigo ver, nem ouvir, nem sentir, nem você... não consigo ver, nem ouvir, nem sentir...
Dançam as fadas do apocalipse; o fim de toda cachoeira e todo o eclipse; todo vento e toda a cor...
Um tufão! Está tudo girando e girando e girando! E a vida está correndo diante de mim... tudo treme, tudo rosna, tudo grita, é tudo medo... Toneladas de areia e choro e dor... Cada um deles desmorona diante de mim... quedas terríveis! E as pessoas buscam... elas buscam... elas fogem e eu quero fugir e eu quero chegar, mas eu não consigo... eu quero chegar ao outro lado... ninguém consegue... ninguém pode e ninguém vê... por que? quando sangramos é o mesmo sangue... Eu não consigo chegar! Está morrendo!... (Map of the problematique)

Fim!
Linha de chegada de tudo que brilha e ultrapassa a mesmice desse mundo morto!...
Eu não vou esperar nesse caminho... que o ódio ascenda!
Ela via... ela sentia... ela chorava... ela tinha um nome... ela tinha um nome...
Não vou segurar o que não me cabe mais... 
E voamos, e caímos e queimamos... e ninguém lembrará... ninguém...
Essa é a última vez... é o último verso...
olho pro céu a procura das estrelas; elas sumiram... elas queimaram dentro de mim... e não há o que ver... só morrer... tudo não vale a pena... tudo não vale a pena...
Essa é a última vez.... é o último verso... (Stockolm Shyndrom)

Eu pensei que não... que ia perecer... quero quebrar o bem que você me fez...
Destruir isso... eu vou destruir isso...
Por que o meu tempo não vai voltar e nada mais vai me ajudar... eu não posso querer mais nada... por que não há mais nada...
Eu era livre. Você me prendeu... eu tentei te esquecer, mas estava viciado... 
Agora saiba eu estava preso por seu feitiço e você nunca deveria ter tentado acabar com isso...
Destruir você... destruir a imagem que existe de você em mim...
Como eu cheguei aqui?...
Você arrancou tudo que podia de dentro de mim...(Time is running out)

Controlei o que sinto por muito tempo... evitei o que sinto por muito tempo... guardei no mais obscuro de mim por muito tempo... me destruí por muito tempo...
Isso tudo me fez sentir as suas dores... isso tudo me fez amar as suas causas...
Tentei te agradar por muito tempo... tentei te poupar por muito tempo...
Isso está acabando agora...(Showbiz)

Vem, vai e não me deixa... estou te machucando de novo, eu prometo que essa será a última vez...
No seu mundo... eu não estava só... no seu mundo eu não sorria só...
Estou muito magoado pra te amar... estou muito cansado pra continuar assim... mas eu prometo: essa é a última vez... 
Se não fosse eu não sentiria... se não fosse eu não sentiria... (In your world)

Sons... medo... foi o que restou de nós dois...
Novo. De novo e de novo.
Tudo mudou e tudo sumiu ou sumirá... vai me ajudar a coexistir  com o frio de cada inverno...
Você me deixou doente. Por que eu adorava você tanto... (Space Dementia)

Por que isso tudo tem de te afetar? Meu amor é tão falso...
Você fez tudo da forma mais linda que eu poderia querer... você fez tudo tão perfeitamente... por que?
Eu quase enlouqueci... por que meu amor era tão falso... (Agitated)

No mural de minhas lembranças agora repousa a sua face... ao som de um dedilhado qualquer que faz do meu ser algo melhor... uma dor e uma alegria; o conjunto perfeito de uma felicidade lembrada que já se foi...
Por que você poderia ter sido a minha escolha mais estúpida e eu faria de você um ser perfeito... e nós andaríamos por aí rindo e chorando ao ver o mundo passar com todas as suas pernas diante de nós... Nós o seguiríamos e mudaríamos o seu trajeto da forma que quiséssemos por que teríamos força o suficiente pra isso; você e eu teríamos alcançado os céus! Você seria a única pra quem eu me abriria sobre as coisas mais tristes e mais alegres em mim... sobre tudo que me comoveria e sobre as minhas maiores revoltas... teria sido aquela que me confortaria apenas por sorrir ou apenas por me olhar e não prestar atenção em nada do que eu falasse... E eu estaria lá esperando quando voltasse. Estaria parado por que eu não teria escolha pois você seria a vida que habitaria a minha alma!...
Primeiro, houve alguém que mudou tudo em mim e que me ensinou a ver além... e destruiu meus sonhos e tudo em que acreditei e ela nunca seria melhor que você...
Você poderia ter sido algo muito lindo! Mas já não é o que eu esperava que fosse... você é agora alguém que eu não sei precisar...
Eu perdi uma chance única. Você perdeu a maior que teve de saber o que existe além dos símbolos...
E eu não vou mais estar lá esperando por que agora eu sou livre e preciso querer ficar... e eu juro que eu conseguiria ser assim... e esqueceria de tudo e nada mais do que me disse significaria... eu conseguiria ser assim... antes de você... (Unintended)

Eles amaciam os meus ouvidos... são sons belos de um novo mundo... 
Longe... estou tão longe de tudo de que eu me lembro e das pessoas que se importam comigo...
Aquela luz eu vou seguir aquela luz até o fim da minha vida, mas não sei se isso importa mais...
Minha vida... ela está andando de volta fora de trilhos antigos...
Eu nunca vou deixar você ir. Prometo que nunca deixarei, seja lá quem você for...
Quando eu te encontrar... espero saber... se eu não souber, me diz, por favor!
Pois eu só quero te segurar em meus braços, não quero mais nada de você... só te segurar nos meus braços...
Longe... eu vou estar muito longe e tudo que eu conheço não valerá nada até que tudo morra...
Aquela luz... eu vou seguir aquela luz... mesmo que eu ainda não saiba qual delas é... eu vou seguir... (Starlight)


"Essa é uma tentativa de passar as impressões que eu tive quando juntei as coisas que eu sinto e vivo aos temas e sons das músicas citadas da banda Muse. Algumas coisas foram tiradas das letras, outras dos sons, mas nada é parte de uma coisa só. Tudo isso é um reflexo de algo que havia em mim e reverberou no som"

Matheus Santos Rodrigues Silva








sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pra não dizer que eu não falei das flores - Acordem!



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Temos a história na mão e nos recusamos a mudá-la. Não é a história dos pobres. Não é a história das classes menos favorecidas e oprimidas. Não é a história do outro. É a nossa história. Se somos a geração que diz: "Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição: de morrer pela pátria e viver sem razão" somos aquela que não morre pela pátria e continua a viver sem razão.

Nos recusamos a assumir a responsabilidade por nossas próprias vidas. Não se trata de assumir uma responsabilidade social. Não se trata de assumir uma responsabilidade política. Nós nos recusamos a assumir a responsabilidade pelo nosso próprio destino e nos frustramos com as consequências. A culpa nunca é nossa. A culpa é sempre de um alguém; um alguém distante que não sou eu nem você e nem ninguém próximo o suficiente pra discordar de você e lhe atribuir a culpa.
Com certeza seremos a geração que vai morrer mais tarde e isso não significa que seremos a geração a viver mais.

Muitos daqueles que passaram também se recusaram a tomar nas mãos a responsabilidade pela própria vida e eles sempre foram os nossos exemplos. Nos justificamos com os fracassados, com os que não tiveram força e dizemos: é humano...

Nós nos subestimamos. Talvez por baixa auto-estima ou talvez por pura preguiça, não sei. O fato é que nos recusamos a admitir que podemos por que se o fizermos ficamos moralmente tentados a tentar e se tentarmos e falharmos... será uma decepção... e nós não suportamos decepções...

Nós estamos cada vez mais nos recusando a assumir a responsabilidade por nós mesmos e quem dirá sobre os outros. Temos medo de nos conhecer. Queremos aquele amor perfeito, aquele sonho, aquela vida bonita, mas não queremos construir. As vezes não queremos relacionamentos grandes. Dão trabalho e podem trazer decepções. Imagine construir algo lindo ao lado de alguém e depois de anos ver tudo desmoronar? Imagine você que o amor acaba... Imagine viver com toda a intensidade que você pode algo lindo por alguns instantes e ter a possibilidade de que isso não dure... imagine a tragédia de saber que o mundo não é perfeito... Imagine pior! Imagine saber que a culpa é sua! Imagine saber que você é responsável por tudo aquilo que cativas e é responsável pelo seu próprio destino... imagine pensar que você pode fazer tudo ou nada e ser feliz... imagine que você tem que escolher...


Temos medo de sofrer. Buscamos sempre o caminho menos penoso mesmo que ele nos leve aos sabores menos doces. Não importa se não é mel, importa que é doce. Não precisa ser a fruta mais gostosa, contanto que tenha gosto. Não precisa ser o pote no alto da prateleira, que você poderia até alcançar, mas ia dar muito trabalho, basta que seja um pote. 

Tudo tem dois lados ou até mais. Tudo tem a possibilidade de dar certo e de dar errado. Tudo pode ser horrível ou muito belo. Por que sempre olhar para o demônio na estátua?

Nos orgulhamos tanto em existir... todos existem... até mesmo uma pedra existe. O existir foi imposto a nós; não é motivo de orgulho.

Quando nos recusamos a tomar as rédeas da nossa própria vida é como se morressemos. Quando nos recusamos a dar o máximo de nós para conseguir o máximo que podemos, se caracteriza um desperdício pois a vida não vai voltar. Você nunca vai ser tão jovem quanto é nesse instante. Nunca mais vai ter tanto potencial quanto tem agora. Não importa se você tem 89 anos; no ano que vem terá 90...

A vida é feita de falhas e acertos. Derrotas e vitórias. Felicidade e decepção. Só queremos os acertos, as vitórias e a felicidade. Todos nós queremos. Eu quero, mas um certo aviador escreveu uma vez: "Eu tenho que suportar algumas lagartas se quiser conhecer as borboletas". 

Por fim eu digo: queremos muito amar as rosas. Pois saibam que quando se ama algo, se ama todo o algo. Não se ama apenas o perfume, a cor, a maciez ao toque. Se ama as folhas, se ama as raízes e também os espinhos.

Matheus Santos Rodrigues Silva

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Alívios II

Meus vôos mais altos resultam nas minhas maiores quedas. É incrível como o mundo insiste em me dizer não...
Minha teimosia também é muito incrível. Ou seria burra? Não sei. Eu acho que é o que eu sou.
Não sei viver a beira das sensações. Sinto tudo com a intensidade que me vem. Sinto tudo sem o medo do depois. Mesmo sabendo que o depois virá. Mesmo sabendo que o depois dói...

Alívios

Eu sinto a dor de uma certeza que eu não posso ter...
Ela grita tão alto! Eu preciso fazer ela se calar...
É tão bom viver a intensidade das coisas... é tão ruim que elas não durem...

Ao sol de inverno

Ela foi tudo pra mim... e eu não sei o que fazer...
Me avisaram sobre o risco de sentir coisas tão intensas... eu quis me arriscar...
Agora dói. Dói muito! Mas não importa por que a beleza ficou...
Eu não me arrependo de ter sentido tudo aquilo... tá certo que eu queria mais, mas isso é o que é...
Agora eu não vou mais deixar isso crescer em mim...
Foi eterno enquanto durou...

Matheus Santos Rodrigues Silva

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Tudo por causa de um filme

Eu não sou daqui. Sou, com toda certeza, de um tempo diferente. Vim de um lugar onde as moças se encantavam com os rapazes e os rapazes se encantavam com as moças tão timidamente. De um tempo onde esses mesmos rapazes ensaiavam inúmeras formas de pedir aquelas mesmas moças em casamento e estas se emocionavam profundamente com o pedido. Não pelo recato ou pela convenção, mas pela infantil beleza destes atos.Infantil. Em alguma época não o pude ser. Se existir reencarnação, eu fiz parte da alta sociedade. Não pelo dinheiro ou por achar que assim pareço, mas por não suportar as convenções nessa vida aqui. A outra deve ter me saturado disso. Voltando a beleza infantil, me divido ao olhar ao redor e gostar desse tempo. Me divido pois tenho um pouco de saudades da outra. A sociedade era muito chata e cheia de horrores, preconceitos, atrasos de pensamento... Mas tinha lá sua beleza. As vezes eu penso que sou de outro tempo inda diferente deste que citei. Penso que sou de tantos tempos... Muito nesse tempo me entedia e me cansa, mas muito me alegra, me faz sorrir. Eu sou de tantos tempos mortos e moribundos e de tantos por vir... Agente avança, tenta melhorar, tenta evoluir e corrigir os erros do passado. Os homens e mulheres do passado tinham que ser do passado, nem mais, nem menos. Era um erro... Hoje temos que ser homens e mulheres de hoje. Sempre. Nada mais, nada menos. Agente não pode gostar de tudo? Agente não pode ser de um tempo em cada tempo? Adoro a liberdade e até mesmo a fugacidade e objetividade das relações de hoje e acho tão bonito o amor infantil , o nervoso, a espera... Por que essas coisas têm que se anular? Os séculos passados eram e aceitavam apenas o seu momento. Um erro do passado. Estamos avançando tanto... quebrando tantas barreiras e preconceitos. Talvez sintamos tanta falta dessas coisinhas mesquinhas que acabamos por sentir a necessidade de criar outros no lugar. Estamos evoluindo...

domingo, 9 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Showbiz







Quero apresentar uma música que tenho ouvido muito nos últimos tempos. Seu nome é Showbiz, de autoria da banda inglesa Muse. Pra mim, esta música é um grito de um recém acordado para este mundo. Um grito de alguém que acordou e enxergou o mundo como ele é.



Letra: Showbiz - Muse

Controlling my feelings for too long.
Controlling my feelings for too long.
Controlling my feelings for too long.
Controlling my feelings for too long.
And forcing our darkest souls to unfold.
And forcing our darkest souls to unfold.
And pushing us into self destruction.
And pushing us into self destruction.
They make me, make me dream your dreams.
They make me, make me scream your screams.
Trying to please you for too long.
Trying to please you for too long.
Visions of greed you wallow.
Rhythms of greed you wallow.
Visions of greed you wallow.
Rhythms of greed you wallow.
They make me, make me dream your dreams.
They make me, make me scream your screams.
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Essa música é pra mim uma amostra clara da nossa realidade social. Uma amostra da nossa continua decadência, da profunda enfermidade que nos assola e que a cada dia nos consome mais.
Olhem para o mundo onde vivem. Confiamos cada vez menos nas pessoas. Na rua podem haver ladrões, sequestradores, estupradores, policiais... Exato, policiais! Os casos de morte por "fogo amigo" são incrivelmente elevados, graças a treinamentos inadequados, salários ridículos e a valorização pífia dada a esta classe.
Temos cada vez mais medo de nos relacionar. As pessoas se unem por contratos econômicos ao qual dão o nome de casamento. Muitas vezes ungido pela "santa" madre igreja, que torna sagrado o triste contrato. Divisão de bens, condições de manutenção, cláusulas para um futuro divórcio, mas é claro! Temos que nos proteger contra eventuais golpes e traições, afinal não podemos confiar em ninguém! Nem mesmo nas pessoas que amamos!
Somos criados pra nascer, girar a roda do sistema e morrer. Ser um cidadão de bem é sustentar este sistema.


Um escravo do Brasil arcaico tinha uma vida pouco interessante: Vinha a essas terras forçado. Trabalhava na lavoura ou em qualquer outro setor sem ganhar nada em troca. Dormia acorrentado em cima de seus próprios excrementos. Sem perspectiva de mudança. Sem liberdade de escolha, nem do que comer ou beber, nem do que vestir, nem do que falar ou saber... Não podiam sonhar com o futuro, pois não havia futuro. Era essencialmente feito sem propósitos próprios, tal qual uma caneta ou uma privada.
E nós? O que somos? Nascemos numa determinada classe social e a partir daí já temos traçado o nosso destino. Podemos compor a turba de braços e pernas que vai girar a roda do sistema com seus corpos ou compor a turba que o fará com suas mentes e seu "conhecimento".
Qual é, ou pelo menos deve ser, o sonho de todo cidadão de bem? Nascer, se educar como pode, entrar no mercado de trabalho, desempenhar a função aprendida, chegar ao fim de sua capacidade e morrer cedo o suficiente pra não tirar muito dinheiro do governo e tarde o suficiente pra dar uma boa expectativa de vida ao país.
Nascemos, crescemos e morremos num roteiro pré definido. A humanidade entrou numa roda da qual não consegue sair... O que somos nós senão escravos da sociedade, do monstro que criamos?
É nisso que vem o grito. Ela controla nossos sentimentos há muito tempo, ela já controlou nossos sentimentos por muito tempo! A sociedade de consumo força as nossas "vontades". Queremos ter aquilo que ela quer que queiramos. Sentimos aquilo que ela quer que sintamos. Se é necessário consumir para o bem do sistema, consumimos. Se é necessário lutar pelo bem do sistema, lutamos. Se é necessário morrer pela "honra" e "amor" à pátria, nós morremos!
Ela faz com que mostremos os nossos piores lados... Temos que tirar vantagem! Ser o mais esperto! Temos que aproveitar a oportunidade aparente, passando por cima de quem for! Temos que ser o que nós somos, ou o que querem ou queremos acreditar que somos, seres que buscam a sua sobrevivência, nada mais.
Estamos adoecendo. Há muito que estamos adoecendo... Nossas sociedades reproduzem conceitos de um sistema falido. Nossas escolas são espaços feitos para transmitir "conhecimento". Aprenda função bijetora, polinômios, guerras napoleônicas, relevo, a funcionalidade das mitocôndrias e MUV. Mas pra que? Não importa! Aprenda! É isso que vão te cobrar! É isso que você precisa saber!
O que sabe o nosso estudante? Noções soltas de diversos aspectos do "conhecimento", com a finalidade de vomitar essas noções numa prova de vestibular e depois esquecê-las. Somos educados para reproduzir, nunca para produzir. Aprendemos as fórmulas de lógica, mas ninguém nos fala sobre o pensamento lógico e nos estimula a desenvolvê-lo. Aprendemos enormes teorias químicas, aprendemos como preservar o ambiente, mas nunca somos estimulados a pôr isso em prática. Aprendemos sobre diversos acontecimentos históricos, mas nunca nos ensinam a aprender com os fatos históricos, vide que continuamos a cometer os mesmos erros. Aprendemos a resolver uma prova, nada mais!


Nosso modelo social está nos levando a auto destruição e somos incapazes de pará-lo?
O monstro que criamos, na verdade nosso antepassados criaram e nós nos recusamos a destruir, nos faz sonhar com os sonhos que criou, gritar pela causa que criou e que acreditamos ter criado...
Um soldado na guerra acredita lutar pelo orgulho nacional. Eu pergunto: Que orgulho? Ele luta por instalações industriais, energéticas, militares que não pertencem a ele. Por negócios que ele não tem e dos quais nunca vai usufruir. Ele luta por pedras, metal, óleo, nada mais!


Nós representantes da classe média, lutamos por nosso salário, por nossa dignidade... Que dignidade? Ter um salário todo mês que nos permita pagar as contas, sair pra tomar uma cerveja aos domingos e com fé em deus pagar o plano de saúde e os seguranças da rua. Pedindo a deus que nos proteja de todo o mal, a nós, nossa família, nossas propriedades, nossa vidinha, amém!


Tentamos agradar a sociedade. Tentamos não fugir de suas normas, manter as aparências... Tentamos agradá-la por muito tempo... Não seja rebelde! Não fale alto! Não chore, homem não chora! Não seja bobo! Não seja deselegante! Não comente! Não discuta! Não debata! Não seja gay! Não se apaixone! Não seja fraco, nunca! Não tenha medo! Não seja diferente! Não pense! Não sinta! Não saia da linha! Não desafie o sistema! Não quebre o elo! Não viva! Não pergunte! Aceite! Por que a mulher é o sexo frágil? É de sua natureza! Por que devemos atender ao chamado da pátria? Por que é da nossa natureza, é a nossa obrigação! Por que ser gay é errado? Por que é contra a natureza e contra deus! Por que aquelas pessoas são tão pobres? Por que é da natureza delas, são fracos! Por que aquele homem matou o tio? Por que é da natureza dele, ele é um psicopata! Por que aquela moça usa drogas? Por que é da natureza dela, ela é fraca, indecente e uma herege! Por que... Eu já disse pra não perguntar!
O que importa é ter, acumular, guardar para o futuro! Que futuro?..


Tratamos o mundo como uma coisa igual. Tratamos as pessoas como uma coisa igual. Temos apenas um objetivo e vamos lutar por ele! Vamos nascer e depois morrer. Como manda o figurino.
Essa música é um grito! E faço dela a minha voz!
Estamos nos destruindo... Não conseguimos ver? Somos seres do século XXI D.C com mentes do século III A.C.
Olhem as ruas de Salvador! A violência cresce! O governo culpa o crack, os ricos culpam os pobres, os pobres culpam os ricos... A culpa é nossa! Somos alvejados pela violência todos os dias e a única atitude que temos diante dela é correr! 
Determinamos as pessoas. O determinismo aqui é "natural". A mulher é frágil e sensível. o pobre é preguiçoso e ladrão. O homossexual é pervertido. O mundo é assim por que deus quer!
Eu me pergunto: Em que raios de época nós abdicamos da liberdade de escolher o que somos? Quando foi que deixamos a roda simplesmente girar? Ela está nos levando para um abismo e nos recusamos a pular! 


A bíblia diz que no fim dos tempos, pais matarão filhos, filhos matarão pais, haverá guerra e caos. Eu digo que isso sempre existiu, em menor intensidade algumas vezes. Isso sempre aconteceu. A diferença é que agora temos acesso a mais notícias pela TV e pela internet... Não estamos nos esfacelando pelo advindo do novo, mas pela manutenção do velho! Não somos ensinados a pensar e a produzir e quando temos a chance nos recusamos! Ainda preferimos que os outros pensem por nós. O camponês da idade média, o minerador do carvão inglês, qual a diferença deles para nós? Continuamos a reproduzir um modelo que não escolhemos, que nos foi imposto e que por algum motivo insano nós aceitamos. Homens e mulheres do século XXI, por que mataram vocês no berço? Ou simplesmente estão dormindo? Acordem! A vida está passando por vocês, a roda está girando sem um guia, a chance está passando... acordem!..


Tem se falado muito sobre o fim do mundo. Não sou profeta, então não posso dizer que o fim do mundo está próximo, mas posso dizer que o fim está próximo.


Matheus

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tema- Existencialismo

Somos  uma determinação não dada.
Somos responsáveis por nossos atos, nossas escolhas e nosso passado.
A existência vem antes da essência. A existência se impõe a nós e por ter consciência de que existimos, buscamos um significado para ela. Somos livres. Somos obrigados a ser livres.
São algumas das idéias existencialistas. Concordo profundamente com elas.
Ainda vou escrever algumas coisas sobre o existencialismo, mas agora queria apenas fazer uma crítica a uma de suas “pregações”: O existencialismo diz que podemos mudar a nossa essência a qualquer momento. Eu discordo dessa parte.
Se a nossa essência se constrói com a nossa vida, e o passado, aquilo que fomos, tem uma essência definida, significa que nós também a temos, pois temos um passado.
Nossa essência pode até ir se formando com o passar dos tempos, mas a cada dia ela fica mais firme. A cada dia temos um passado maior, portanto uma essência maior.
Não acredito que a nossa essência seja simplesmente formada durante a nossa vida. Acredito em algo prévio a isso, que pode ou não ser desenvolvido. Não vou entrar no mérito ciência X religião disso, não agora.
Existe algo em nós. Algo maleável, mas que possui uma certa rigidez. Pode ser moldado até um certo ponto. Isso se mostrou no próprio Sartre. Ele tentou se tornar mais “engajado” politicamente, mas nunca obteve o êxito que pretendia. Nessas tentativas de ser soldado, ele foi escritor. Eu acredito que seja assim. Existe uma força inicial que pode ser usada ou não. Existia nele, e ela foi usada. Conforme viveu sua vida, Sartre moldou sua essência. Seu passado só foi confirmando a essência inicial e a aumentando. E disso ele não pôde fugir. 

domingo, 18 de abril de 2010

O livro dos porquês

Porquês.
Certa vez eu li um livro com esse título.
Um menino pequeno perguntava muito, queria saber muitos porquês.
Acho que cresci um pouco como esse menino.
Fiz muitas experiências na infância. De diversos tipos. Químicas, biológicas, físicas. Sempre quis saber os porquês de coisas do gênero. Plantas, insetos, aracnídeos, répteis, mamíferos, bactérias, protistas, ácidos, quedas, forças...
Isso me deu muito conhecimento prático. Ainda tenho esse espírito questionador. Ele me acompanhou por diversos interesses que desenvolvi: Literatura, história... Mas cheguei, finalmente, a um limite nos porquês. Cheguei a arte.

A arte se expressa em diversas formas, até viver é uma arte!
Você não pode sempre saber os porquês da arte. As vezes ela não os tem.
O expoente disso é o surrealismo. É uma arte que não tem porque de ser. É uma idéia que não compreendemos bem e  muitas vezes, por ignorância, rejeitamos e condenamos. Como pensar no universo como algo que não teve começo nem fim, ou que o tempo passa mais devagar a
velocidades relativísticas, ou pensar que duas retas se tocam no infinito. Idéias abstratas demais...

Temos um campo de pensamento limitado ao nosso próprio conhecimento.
Quanto menos conhecimento temos, menor é a nossa capacidade de compreensão.
Mas que conhecimento é esse? Não, não é o conhecimento acadêmico apenas. Não é só o que está nos livros. É o conhecimento prático, o experimentado diversas vezes, o refletido...
Os homens estudam diversas tópicos da ciência por anos a fio, sem conseguir alcançar a compreensão. Por que acham que com a arte seria diferente?

A arte é a ciência das sensações. O que ela te faz sentir é o que importa. Ela é aquilo que você sentiu e faz sentir.

Meus porquês estão ficando pra trás quando se trata de arte. Inclusive da arte de viver. Nem sempre existe um porquê.

O mundo todo nos exige motivos. O mundo todo nos exige atitudes e posturas. Inúteis...
Se parar pra se perguntar do porquê disso tudo, não vai encontrar respostas, se aceitar simplesmente, vai se perguntar por que...
Saber... você sabe de muita coisa não é?
Você gosta de saber de muita coisa não é?
Você é bom!
Então eu pergunto:
Qual a última cor que chamou a sua atenção?
Quais estrelas conhece? Quais delas são de fato estrelas e não planetas?
Qual foi a sua última palavra doce?
Qual foi a última vez que parou de perguntar, por que isso está acontecendo? E começou a viver isso? Sendo mal ou bom?

Os porquês estão escondidos num baú. Numa caixa misteriosa. Só possuímos um pedacinho da chave. Juntos, todos juntos, poderemos abrir a caixa e finalmente acabar com todos os mistérios do mundo! Desvendar tudo, desmistificar tudo!
Mas... por que?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dias de hoje

Já ouvi muito sobre a sociedade nos nossos tempos. Muito sobre a minha geração. Sobre termos muito conhecimento hoje, mas pouca aplicabilidade para ele.

Eu pessoalmente discordo disso. Acho que temos muito mais possibilidades para adquirir conhecimento, mas isso não significa que o tenhamos. Acho que a aplicabilidade do conhecimento é algo relativo. O conhecimento é vasto, é um conjunto de ferramentas. Aquilo que agora pode não ser aplicável pode o ser daqui a algum tempo.

Também ouço muito dizer que não temos ideologia. Dizem que nossa geração não tem muitos conceitos fundamentados. Não temos um pensamento centrado, coisas do gênero.

Com essa parte eu concordo. Concordo que não tenhamos uma ideologia a qual seguimos. Mas eu não acho isso negativo.

No início, o homem precisava apenas satisfazer as suas necessidades básicas. Comer, beber, dormir e procriar.
Isso era o suficiente.
Na antiguidade o homem foi descobrindo alguns conceitos menos primitivos, como os de estado e sociedade. A partir daí, os anseios humanos foram mudando, mas passaram um bom tempo tendo uma coisa em comum.
Na antiguidade oriental o papel foi do estado teocrático. Na antiguidade ocidental não foi muito diferente. Na verdade, no mundo não foi muito diferente. O estado ditava aos homens aquilo que eles deveriam fazer.
Durante a idade média, esse papel ficou com a igreja para a civilização ocidental, e na oriental... também ficou com a religião...
O tempo foi passando e a função de ditar como a vida dos homens deveria ser foi mudando de mãos. Religiosos, reis, pensadores... Os homens sempre viveram de acordo com um preceito, sempre viveram com alguém lhes dizendo o que fazer.

Estou lendo um livro muito interessante de nome "O fio da navalha". Na narrativa, a personagem Isabel protagoniza algumas situações que chamara a minha atenção. Ela vive um problema com seu noivo, Larry, quer que ele arranje um emprego como qualquer pessoa normal e se dedique a nação, no caso os EUA.
A história se passa durante o processo de ascensão estadunidense e decadência européia pós primeira guerra. Essas passagens mostram, de forma muito clara, o que eu digo sobre os homens sempre serem guiados por algo, nesse caso a euforia nacional.

Nascemos numa época em que a mídia tenta assumir o papel de guiar a humanidade. Ela não tem falhado. Mas tem sofrido uma contestação que outras entidades que serviram de guia para os homens não sofreram.
Nós temos muito acesso a informação, e a informações diferentes. Podemos ter acesso a diversos pontos de vista sobre determinado fato ou idéia em questão de segundos! Todo conhecimento acumulado pela humanidade está ao alcance de nossas mãos. E eu falo daqueles que tem esse alcance no mundo. Todos sabemos que isso não é uma verdade geral, mas de uma parte da humanidade. Mas temos que admitir que essa realidade dita as outras realidades, quase sempre.
Nós não estamos mais presos a uma determinada ideologia ou pensamento. Não estamos mais tendo uma entidade guia, que nos diz o que fazer. Estamos tendo que tomar as nossas próprias decisões.

Fazendo uma daquelas clássicas comparações da humanidade como um ser único, diria que estamos nos tornando adultos... Mas se considerarmos que antes da nossa época, a humanidade era guiada, nossa idéia de adulto é um tanto inválida...

A humanidade passa por um momento complicado. E o mais curioso disso tudo é que o momento psicológico da humanidade se reflete em diversas esferas.
Hoje, temos que escolher. Temos que viver a nossa liberdade, o nosso "livre arbítrio". Na verdade somos forçados a escolher... paradoxal não?

Estamos aprendendo a guiar nossos próprios passos, e aprendemos devagar...
Usando um exemplo bem simples, olhem para diversas igrejas evangélicas que surgiram nos últimos tempos. A diferença delas pra igreja católica é bem simples: A igreja católica pede ao homem que haja de acordo com seus preceitos, enquanto as evangélicas atuais oferecem a ele a salvação, a resolução dos problemas e uma guia.

Sabem guia? Coleira. Essas entidades dizem as pessoas o que fazer, como fazer e quando fazer. Por isso atraem a tantos hoje.

Depois da crise financeira, vemos o manto que os EUA lançaram sobre o mundo ser recolhido. Por um bom tempo foi esse país que ditou as regras no mundo, mas hoje o vemos com dificuldades pra se manter e numa crise interna de dar pena. Qual a consequência disso? O mundo tem mais liberdade para se expressar.
Muitas nações estão preenchendo os vácuos de poder deixados pelos EUA. Vide Rússia no oriente, Irã até mesmo Israel no oriente médio, o afastamento japonês dos EUA e sua aproximação com a China, a própria China e até mesmo o Brasil!(Vide viagem de Lula à Palestina).
A União européia passa por sua primeira grande crise, e sua fragilidade se revela. Até mesmo a África tem tido mais liberdade para agir, fora da influência dos grandes. Mas a questão é: O que o mundo está fazendo com essa nova conjuntura? O que o mundo está fazendo agora que não tem mais uma nação hegemônica ditando o que deve fazer?

O dilema de cada um de nós é o dilema do mundo. Nossa busca por respostas e por nosso próprio caminho é a mesma do mundo. Não estamos mais presos a nada, vivemos uma época de transição. É a nossa chance de acertar ou de falhar novamente.

domingo, 28 de março de 2010

O tempo

Me fiz este questionamento após algumas vivências e leituras. Após algumas experiências e insucessos.
O que seria o tempo?
Pra história ele seria uma folha de papel na qual se escrevem acontecimentos. Pra física seria uma grandeza variável, dependente da velocidade. Pra mim é algo que não posso alcançar...
Qual a noção que podemos ter de tempo? Estudamos fatos ocorridos a milhares, as vezes milhões de anos.
Mas o que sabemos obre um milênio? Duzentos anos que seja?
A única coisa que podemos dimensionar é o intervalo de tempo transcorrido do dia do nosso nascimento até o dia da nossa morte.

A esse espaço de tempo damos o nome de vida. O que é essa vida?
Nossa vida é cheia de planos, as vezes planejamos tanto que não temos tempo pra executar os planos. De novo o tempo... o que seria ele então? Um carrasco? Seria como uma sala fechada onde a água sobe até nos afogar? Onde precisamos escolher entre uma fuga abrupta ou uma planejada? E o que seria isso, o tempo ou a vida?

Se todo tempo que podemos conhecer, se todo tempo que podemos dimensionar é a nossa vida, então a única coisa que temos é todo o tempo do mundo.

Passei a olhar a vida como um observador apenas, sem pensar em como ela passa enquanto penso. Pensei num ditado alemão que diz:" Uma vez não conta"- ao qual vi num livro de nome: " A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera"- Ele se refere a vida dessa forma, fazendo alusão a uma peça teatral, onde você não pode ensaiar. Tudo só acontece uma vez, não há tempo pra testes.
Depois lembrei de algumas propagandas que já vi. Umas que falam como a vida seria melhor se pudéssemos testar antes de escolher. Me perguntei se seria mesmo melhor...

Sendo apenas um observador, cheguei a um ponto, que não posso chamar de conclusão, mas que me deu um pensamento novo: Posso fazer tudo ou até mesmo nada com a minha vida. Ela é um intervalo de tempo ao qual eu dou significado. É um quadro a ser pintado, uma partitura a ser escrita. Só que, diferentemente do que se prega, ela não precisa ser corrida. Não precisamos correr pra viver. Não precisamos nos matar pra ter tempo pra vida. Ela já é todo o tempo que temos.

Sendo simplesmente um observador, você percebe que a vida é tudo que temos. É todo o tempo do mundo. O que vem antes e depois desse tempo não tem significado prático. Não estávamos lá no passado, nem estaremos no futuro. O que importa é o que se tem agora, é o que se passa agora. Temos tempo pra planejar e executar, pra correr e pra descansar. Só estamos presos ao que nos formou, como vi num livro de nome: "O fio da navalha"- Somos o lugar onde nascemos e fomos criados, os brinquedos com que brincamos, os livros que lemos...

O que conta é o que transcorre entre dois intervalos, o nascimento e a morte. Qualquer ofensa ou elogio feitos fora desse intervalo de nada servem. Não somos a continuação de nada, e nada será a nossa. Somos livres enquanto não nos prendermos ao já estabelecido nem ao por estabelecer. Somos livres pra escolher, mesmo que não tenhamos todas as opções, dentro desse intrigante intervalo de tempo, somos livres!