Mostrando postagens com marcador Peças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peças. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A sombra de uma escolha X

Ato 04:

Cena 01:

*Prisco em seu quarto. Deitado. Do lado esquerdo do palco. Regina em seu quarto. Deitada. Do lado direito do palco. Luz sobre os dois.*

(Prisco) – Eu só quero estar ao seu lado...
(Prisco) – Eu só quero poder ficar te olhando se arrumar pra sair...
(Prisco) – Só quero poder ficar te olhando sorrir irônicamente...
(Regina) – Eu não peço demais...
(Regina) – Só quero poder ser sua...
(Regina) – Só quero poder fazer parte de você... como você faz de mim...
(Prisco) – Quero sair todos os dias pra te ver naquela praça...
(Regina) – Quero voltar pra casa caminhando com você... sempre...
(Prisco) – Quero ir a sua casa, conhecer seus pais... morrendo de medo de o velho não gostar de mim, mas procurando sempre agradar a sua mãe...
(Regina) -  Quero poder sair de casa as 8. Te esperar chegar na porta... começar a me irritar com tanta demora e depois me sentir aliviada ao te ver...
(Prisco) – Queria poder me deitar com você e esperar o tempo passar...
(Regina) - ... E rezar pra que ele passasse bem devagar...
(Regina) – Queria te ver saindo do banho...
(Prisco) - ... Ver você se olhando no espelho e fazendo caretas por se achar gorda...
(Regina) - ... Reclamando dos meus tapetes... dizendo que ainda vai tropeçar neles... dizendo que não servem pra nada...
(Prisco) – Quero poder te ver dormir...
(Regina) – Ver como meche a boca pela manhã... todos os dias, antes de acordar.
(Regina)- Quero te ver sorrindo...
(Prisco) – E te imaginar sorrindo enquanto caminho... ficando feliz só por isso... só por saber que vocè está sorrindo!
(Prisco) – Quero poder ouvir a sua voz...
(Regina) - ...Enquanto reclama das dificuldades e enquanto me recita uma poesia...
(Prisco) – Quero poder acordar, todas as noites, sentindo um certo incomodo pelo pouco espaço na cama...
(Regina) – ... Abrir os olhos e ver que é por que você está lá!
(Prisco) – Quero sentir o gosto de sua pele... logo depois que volta de um dia difícil...
(Regina) – Poder beijar todo o seu rosto, mesmo quando diga que não quer, só pra que dê aquele sorriso envergonhado e se faça de difícil...
(Prisco) – Quero ver os seus olhos... toda vez que eu me olhar no espelho e te ver olhando também...
(Regina) – Quero poder apertar a sua mão... bem forte! Quando você se sentir fraco...
(Prisco) – Quero estar lá quando as suas lágrimas caírem... Mesmo que não possa fazê-las parar...
(Regina) – Quero estar lá pra enxugá-las.
(Prisco) – Quero ser o seu travesseiro. Quero que se deite no meu peito... vou reclamar e dizer: De novo? Mas vou estar secretamente adorando tê-la ali...
(Regina) – Quero brigar com você! Discordar de tudo que você diz! Só pra você pensar de novo e de novo... por que eu sei que vai, e que com isso vai aperfeiçoar o que pensa... mesmo que não nos falemos por um dia...
(Prisco) – Quero ser o alvo da sua raiva. Quero que todos os problemas que você tem tenham de recair sobre mim... significa que no meio de tanto caos você me vê...
(Regina) – Quero sentir a sua mão gelada nas minhas costas... Quero que me incomode com ela em todas as noites frias...

(Prisco) – Você tem um significado lindo pra mim... É a única coisa em todo o mundo que me mantém preso por vontade...
(Prisco) – Você é a única razão por trás do meu sorriso...
(Regina) – Você é o único que não me deixa falar... e que eu deixo que não deixe...
(Regina) – Você é a única razão pra eu ignorar meus afazeres, e também a única para eu fazê-los...
(Prisco) – Você conseguiu significar tanto em tão pouco tempo...
(Regina) – Você conseguiu brotar em meio ao nada...
(Prisco) – Foi pouco...
(Regina) – Quase nada...
(Prisco) – É tamanho o que pode ser...
(Regina) – Tão grande...
(Prisco) – É tão fácil de acontecer que...
(Regina) - ... Que eu não consigo acreditar que possa realmente ocorrer...
(Prisco) – Você é a prova mais clara da minha fraqueza...
(Regina) - ... O sinal mais evidente de que eu não sou nada...
(Prisco) – Você é a única coisa que me faria parar...
(Regina) – E a única que me faz continuar.
(Prisco) – As vezes sonho com você.
(Regina) – As vezes não.
(Prisco) – Sempre acordo e vejo tudo na minha vida e...
(Regina) – Você sempre está lá...
(Prisco) – Não importa a maneira você...
(Regina) – Sempre está lá...

(Prisco) – Como pode pensar que eu quero ir embora?
(Prisco) – Como pode achar que eu quero te deixar aqui?!
(Prisco) – Eu te odeio tanto por isso! Tanto!
(Regina) – Como pode achar que eu te quero longe?
(Regina) – Como pode achar que eu não te esperaria?
(Regina) – Como pode achar que é melhor pra mim?! Você não sabe o que é melhor pra mim!
(Prisco) – Como pode ser tão teimosa?
(Prisco) – Eu só quero que seja feliz! Eu nunca fui tão cuidadoso com ninguém!
(Regina) – Como acha que eu me sinto?...
(Regina) – Eu nunca pense que faria isso... algo tão idiota!
(Regina) – Esperar você, eu disse... é tão demente, mas... eu não consigo evitar...
(Prisco) – Se você apenas me pedisse pra ficar... eu ficaria...
(Regina) – Se você quisesse... eu iria com você! Eu largava tudo!
(Regina) – Você tem um sonho... você está realizando este sonho...
(Prisco) – Você tem uma vida... e eu só entrei nela pra bagunçá-la...
(Regina) – Não posso te pedir que escolha entre mim e o seu sonho...
(Prisco) – Não posso pedir que abandone a sua vida por minha causa...
(Regina) – Tudo que eu disse...
(Prisco) – Tudo que eu fiz...
(Prisco e Regina) – Foi só pra não te machucar!...

(Prisco) – Seus olhos...
(Regina) – Seus lábios...
(Prisco) – Tudo me embriaga tanto...
(Regina) – É tão difícil de resistir...
(Prisco) – Boba!
(Regina) – Idiota!
(Prisco e Regina) – Não consegue ver?
(Regina) – Enquanto as estrelas piscam e o tempo se arrasta a única coisa que eu quero é você!...
(Prisco) – Você...
(Prisco) – O que eu quero? Do que eu preciso? Eu me pergunto, e é...
(Regina) - ... Você!
(Prisco) – Se você apenas percebesse...
(Regina) – ...Por um segundo, rapidamente...
(Prisco e Regina) - ...Que eu, simplesmente, amo você...
(Regina) – Você não questionaria...
(Prisco) – Você não desconfiaria...
(Regina) – Você não me evitaria...
(Prisco) – Você simplesmente enxergaria...
(Prisco e Regina) – Que eu faço tudo... por você!

(Prisco) – Eu vou fazer isso por que...
(Regina) – Eu vou fazer isso por que...
(Prisco) - ... Maior que minha vida...
(Regina) - ...É este amor...
(Prisco e Regina) – Eu apenas... amo você...

Matheus Santos Rodrigues Silva

sábado, 15 de janeiro de 2011

A sombra de uma escolha IX

Cena 03:

*Prisco e Regina se encontram na praça. O mendigo está por perto a observar. Conversam*

(Prisco) – Olá. Como está?
(Regina) – Muito bem eu diria. Respiro poesia! E você? Que me diz?
(Prisco) – Estou bem, eu acho...
(Regina) – Não parece... o que houve?
(Prisco) – Só estou pra baixo...
(Regina) – Pois então cala e me ouve:
(Regina) – Ontem eu pensava em tudo que se passa.
(Regina) – Não pude evitar de me sentir sozinha...
(Regina) – Disse eu pra você, então: me abraça!
(Regina) – E senti que tua presença já era toda minha!
(Regina) – É egoísta, talvez, pensar assim.
(Regina) – Mas é forte demais pra se evitar.
(Regina) – Penso em você perto de mim...
(Regina) – E mais nada pode me afetar...
*Ela sorri docemente, ela sorri docemente...*
(Prisco) – Sinto não partilhar desta poesia...
(Prisco) – Sinto por estar neste tormento...
(Prisco) – Sinto não completar o que dizia...
(Prisco) – Eu sinto... sinto tanto e não enfrento...
(Regina) – Tormento? Não enfrenta? Do que fala?
(Prisco) – Aconteceu algo...
(Regina) – Mas o que?
(Prisco) – Algo que me atormenta...
(Regina) – Mas por que?
(Prisco) – Tinha um sonho e tentei... mandei textos a Lisboa... e agora, enfim, passei...
(Regina) – Mas é notícia boa! Conseguiu! Este é seu sonho!
(Prisco) – É sim...
(Regina) – Então, por que a agonia?
(Prisco) – Exigem-me algo que não queria...
(Regina) – Exigem? Como assim?
(Prisco) – Terei de viajar. Ir a Lisboa, só, pelo mar...
(Prisco) – Apresentar-me aos catedráticos. Prestar homenagem aos velhos homens.
(Regina) – Bem, não é tão dramático...
(Prisco) – Não poderei voltar...
(Regina) – Como assim? Por que não vai?
(Prisco) – Lá vou me formar. As custas destes homens. Depois vou ter de pagar...
(Regina) – Como?
(Prisco) – Lá permanecendo... estudando... desenvolvendo... E o reconhecimento virá...
(Regina) – Mas... mas pode voltar nas férias... pode vir cá as vezes...
(Prisco) – Eu sei que posso... mas não é o que desejo...
(Prisco) – Deixar-te presa aqui por um beijo... que nem sei se vou te dar...
(Regina)- Não! Não diga isso! Não importa!
(Regina) – Eu espero o quanto for! Mesmo que só me encontre morta, estará vivo o meu amor!
(Prisco) – Não diga isso... não merece... És um sonho... não te prendas...
(Regina) – Do que fala? O que quer? Se libertar? É o que pretende?
(Prisco) – Não! Nunca! Eu só não quero que sofra...
(Regina) – Vai a Portugal... quer estar livre não é? Quer curtir a vida! Me deixar, não é?
(Prisco) – Não... Jamais... eu só não quero que sofra...
(Regina) – Acha que eu sou idiota? Eu devo ser... O que eu fiz pra merecer?
(Prisco) – Regina, não... não faça assim... o que eu sinto não tem fim... Eu só não quero que sofra...
(Regina) – Pois então chega. Vá embora. Se decida e me informe.
(Prisco) – Como assim? Vamos falar...
(Regina) – Não posso... precisas decidir... por si só... não mais me ouvir...
(Prisco) – Mas...
(Regina) – Vá...

*Tudo escurece; Ambos somem da cena*

Matheus Santos Rodrigues Silva

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A sombra de uma escolha VIII

Cena 02:

*Prisco sozinho; Passando pela rua; Pára na frente do mendigo; É abordado por um amigo*

(Prisco) – É inacreditável a minha sorte.
(Prisco) – Belo se trilhou o meu caminho.
(Prisco) – Agora não temo mais nem a morte!
(Prisco) – Venha o que for pois não estou sozinho!
(Prisco) – Ora, quem vejo chegando.
(Prisco) – Se não é o meu amigo louco, insano.
(Prisco) – Que até mesmo o nome não ouso pronunciar.
(Amigo) – Ora, qual! Você e suas gaiatices!
(Amigo) – Sou excêntrico não louco.
(Prisco) – Cuidado com o que dizes...
(Prisco) – Excêntricos são ricos e tu ganhas pouco.
(Amigo) – Vejo que seu bom humor se elevou...
(Amigo) – Qual teu motivo? Achou outro amor?
(Prisco) – Outro? Não entendo. Outro amor nunca tive.
(Amigo) – E enquanto a filha dos Boleno?
(Prisco) – Cosia de pele... eu já te disse.
(Amigo) – Mas diga lá, quem foi que achaste?
(Prisco) – A senhora augusta de meu coração!
(Prisco) – Cujo símbolo amado é o punho, a mão
(Prisco) – Fechada ela estava, e abriu-se a ela...
(Prisco) – Ascendeu-se esta vela no calabouço...
(Amigo) – Mão? Calabouço? Vela? Bebeste?
(Prisco) – Esqueça cadete... Não vais entender...
(Amigo) –Tente me explicar!
(Prisco) – Em verso... só em verso consigo expressar.
(Prisco) – Essa chama, veemente labareda que me fascina.
(Prisco) – Vem de uma fonte linda... o peito de uma menina...
(Prisco) – Beleza plena, em alma e em medo. E coragem para tê-la. Principalmente.
(Amigo) – Você está drogado... só pode ser.
(Prisco) – Só estou fascinado! De amor de saber!
(Amigo) – Saber? Que saber?
(Prisco) – Saber enrustido. Preso em meu peito, seta de fogo amigo.
(Prisco) – Libertou-me das cordas, soltou as amarras. As vistas... tão claras, serenas, tão lindas!
(Amigo) – Meu caro, piraste! Mas ainda é poeta! E é isso que importa. Preciso falar-te.
(Prisco) – Poeta? É só um título. Isso que é que não importa. Me fale, me conte.
(Amigo) – Os letrados de Lisboa. Leram seu escrito.
(Prisco) – Que notícia boa! E da boca de amigo!
(Amigo) – Pois é, tu tens sorte. É o novo favorito. Lhe exigem em Portugal, serás famoso, meu amigo!
(Prisco) – Eu consegui? Está vivo o meu sonho?
(Amigo) – Vivo e chorando! Recém nascido e pomposo.
(Prisco) – Oh! Que roupa eu ponho?
(Amigo) – Algo bem vistoso.
(Amigo) – São catedráticos e tradicionais. Apreciam o novo, mas só o velho lhes satisfaz.
(Prisco) – Poesia, poesia... poesia dourada. Ela não é vazia e não pode ser categorizada!
(Amigo) – Já conheço esse papo, mas sucesso vai ter! Se aquiete um bocado e o teu nome irá crescer!
(Prisco) – Tudo bem, eu aceito. Para quando é o vôo?
(Amigo) – Não é vôo é navio.
(Prisco) – Por que não avião?
(Amigo) – São excêntricos, amigo.
(Prisco) – Como não... como não...
(Prisco) – Onde me hospedo? Quanto tempo fico?
(Amigo) – Aí que está, se tiveres sucesso, não vais mais voltar.
(Prisco) – Como não? Eu sou livre!
(Amigo) – Claro que é! E pobre também.
(Prisco) – Isso não me convém...
(Amigo) – Vou bater-te! Não me obrigue!
(Prisco) – Como posso partir? Essa é minha terra!
(Amigo) – Nunca gostou daqui. De viver nessa guerra!
(Prisco) – Mas achei minha paz...
(Amigo) – De novo esse papo?
(Prisco) – Eu a amo, rapaz!
(Amigo) – É só paixão, só estado!
(Prisco) – Não é simples estado! Eu a amo de fato!
(Prisco) – Não é passageiro, nem papo, eu a amo, idolatro!
(Amigo) – O que achas que isto aqui significa? É um teatro, uma comédia, é passageiro! No palco tudo passa e nada fica! É assim que vai e some o mundo inteiro!
(Amigo) – Segunda, parte o teu barco.Até lá, terás de escolher.
(Amigo) – Perseguir seu sonho do outro lado, ou buscar teu amor e nessa guerra viver.
(Amigo) – Mas eu digo, amigo, escolhas bem! É uma chance única e muito grande!
(Amigo) – Aquilo que tens hoje, amanhã não tem! E a cada dia teu sonho está mais distante...
(Prisco) – Viver, eu, de poesia... mas sem ela?
(Prisco) – Como posso deixar um sentimento...
(Prisco) – Que bem rápido matou o meu tormento?
(Prisco) – Devo eu lançar-me ao mar e fechar a cela?...

*Fim da cena 02*

Matheus Santos Rodrigues Silva

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha VII

Ato 03

Cena 01: *(Na beira da praia; Uma marina; No amanhecer; Regina e Prisco; Regina está sentada, olhando o horizonte, quando Prisco aparece; Regina está segurando um guarda chuvas; Prisco senta-se ao lado de Regina; Ela o olha; Os dois sorriem; Prisco a beija; Ambos olham o horizonte)*

(Prisco) – Serei eu a profanar este silêncio?
(Regina) – Ele é por demais profano, não pode piorar.
(Prisco) – Esse lugar absorve tudo o que penso...
(Regina) - *Sorrindo*- E o que pensas? Podes falar?
(Prisco) – Que cada som que faço diz menos o que sinto.
(Prisco) – Se disser o contrário, de certo minto...
(Regina) – Aqui é onde lavo minh’alma, é o remédio do juízo.
(Regina) – É onde a própria paz se acalma, o caminho do paraíso!
(Prisco) – Mas esses são todos os que me levam a você.
(Regina) – *Ri* - Mas esse não, é diferente, você vai ver.
*(Irrompe a aurora)*
(Regina) – O sol que nasce, lança seus raios pelo mundo!
(Regina) – Eles vêm irrompendo este azul profundo!
(Regina) – Acima e abaixo, cada qual vai sozinho.
(Regina) – Se encontrando com as águas... encontrando um caminho!
(Regina) – Quando tocam seus pares, se juntam, se estreitam.
(Regina) – Se despem e se deitam, para agente passar!
(Prisco) – Até posso tocar! Numa nuvem distante!
(Regina) – Nesse momento, tudo é perto...
(Regina) – Qualquer errado é certo...
(Prisco) – Pode o mar nos conduzir?
(Regina) – Olha a chuva a cair! Quem disse que o mar não toca o céu?
(Regina) – Ele toca, eles se deitam. Eles se amam e se aceitam!
(Regina) – Quando retorna, quer voltar. Por isso o caminho nas águas... que liga o céu ao mar.
(Regina) – O sol é como um vento. Só que quente e iluminado.
(Regina) –O mar ele leva, docemente, ao encontro de seu amado.
(Regina) – E se misturam lá em cima. E voltam misturados.
(Regina) – É isso que ilumina! Chuva que tece o inalcansável!
(Prisco) – Como assim? O que ela tece?
(Regina) – Ela é grata, e muito ,ao sol, então ajuda ele a tecer;
(Regina) – Como o amplificador de um farol, fazendo um arco íris nascer!
(Prisco) – Tem razão, está ali! Logo ali, eu posso ver!
(Prisco) – Mas meu caminho está aqui, bem ao meu lado a me dizer...
(Prisco) – Que chegamos ao paraíso! A vida eterna e imortal!
(Regina) -*Ri* Não como a que há na terra, mais inda assim muito real!
(Prisco) – É engraçado te olhar, é um exercício pra alma.
(Prisco) – Me dá vontade de tocar, olhar de novo se é real.
(Prisco) – É um furor que mata e ao mesmo tempo torna imortal...
(Regina) – Quantas mortes eu já tive? A todo o tempo afogada.
(Regina) – Mas você me salva, como já disse, é o poeta de minha alma!
(Prisco) – Por eu escrever, então, renasces?
(Prisco) – É uma alegria poder saber!
(Prisco) – Assim posso me alegrar a cada novo nascer!
(Regina) – Nosso caminho está trilhado, dá no sopé de uma árvore.
(Prisco) – Estante grande, um piano ao lado...
(Regina) – Quando me adivinhas é irritante...
(Prisco) -  * Sorri* - Pois se irritar-te é ver-te assim, vou muito me esforçar!
(Prisco) – Dedicarei-me então, enfim, apenas a te irritar!
(Regina) – Você é bobo e eu também. Nunca, assim, me falou ninguém.
(Prisco) – Pois esqueces-te do meu nome? Prisco ninguém, já lhe falei.
(Regina) - *Ri* Claro, claro! Ele não me some. Mas tu pra mim já é alguém.
(Prisco) – Que alguém eu sou?
(Regina) – Especial.
(Prisco) – Mas por que?
(Regina) – Podes saber!
*Eriçam-se, se fitam e se aproximam a cada frase, como que se confrontassem românticamente*
(Prisco) – Que bem te fiz?
(Regina) – Um sem igual!
(Prisco) – Que te concedi?
(Regina) – Meu renascer!
(Prisco) – Pois então saiba: Nada lhe dei.
(Prisco) – Quando nos tocamos, só fez passar...
(Prisco) – Foi que não controlei.
(Prisco) – Mas nem mesmo pensei em controlar...
(Prisco) – Foi como um toque divino no meu peito.
(Prisco) – Fiquei ao mesmo tempo tão forte e tão sem jeito...
(Prisco) – O que tinha, eu , era pouco.
(Regina) – O que tinha eu também.
(Prisco) – Mas então juntamos e... parece louco...
(Regina) – Tornou-se infinito para ambos meu bem!
*Beijam-se*
(Prisco) – Tenho algo a lhe entregar. Não podes tocar como uma rosa.
(Prisco) – Não é concreto a um olhar, como seria qualquer prosa...
(Prisco) – É um sussurrar inacabado, me ajuda a terminar!?
(Regina) – Estou aqui ao seu lado, só o que posso é aceitar.
(Prisco) –
Um cheiro de pêra exala e me toma,
Me enfeitiça e me envenena,
Não posso resistir a esse aroma,
É dela... tenho certeza plena!
Um toque sutil... cálido e rosado;
Um dedo áspero e febril... me deixa desnorteado;
Um sussurrar que a resume,
Um leve som que me consome.
Harmonia etérea que nos une.
E eu peço, imploro que me tome!
Meus olhos dizem que consente,
Me permitem de te olhar
As vezes... imagino o teu olhar ausente...
Oh dor augusta esse pensar...
Que gosto tens que me completa?
Só assim posso dizer:

Matheus Santos Rodrigues Silva 








quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha VI

Cena 03

*(No quarto de Regina; O casal deitado e conversando)*

(Prisco) – Deus do céu, o que é isso? É real?
(Regina) – As vezes temo ser só uma ilusão
(Prisco) – O início diverge sempre do final...
(Regina) – Não se há amor...se há paixão...
(Prisco) – Fins violentos tem essas alegrias...
(Regina) – O que quer dizer? Vai me deixar?
(Prisco) – Não! Temo só te machucar...
(Regina) – Não fale mais assim, só dá poesia!
(Prisco) – A poesia é um grito no escuto...
(Regina) – O que tem haver, no escuro alguém gritar?
(Prisco) – O mesmo que pra um surdo um olhar.
(Prisco) – O mesmo que uma estrela para um mudo!
(Regina) – É estranho o que me diz, difícil de entender.
(Prisco) – Não te digo nada, nem poesia é...
(Regina) – Afinal, o que quer me dizer?
(Prisco) – Uma canção... uma rima qualquer...
(Regina) – O que te fez ficar tão pesado?
(Prisco) – Não sei... talvez te amar tanto...
(Regina) – Como pode o amor trazer pranto?
(Prisco) – Sendo tão forte a alegria de estar ao seu lado.
(Prisco) – Estar com você é o meu momento de alegria.
(Prisco) – Na vida que levo, tudo é sem gosto.
(Prisco) – Tudo que eu vivo, começa e não segue...
(Prisco) – Já estar com você é um extremo gozo.
(Regina) – Como pode dizer isto? És poeta!
(Prisco) – Poeta também sofre, tem problemas...
(Regina) – Mas resiste as mais severas e duras penas...!
(Prisco) – Mas ainda gostaria de uma meta...
(Regina) – Afinal, o que te aflige? O que te inquieta?
(Regina) – Se pra ti, não basta ser poeta;
(Regina) – Precisa me falar, nada me disse...
(Prisco) – Você pra mim é um bolsão de alegria.
(Prisco) – Com você não posso estar só posso ser.
(Prisco) – Com você a minha vida é uma poesia.
(Prisco) – O teu semblante já me alegra só de ver!
(Prisco) – Meu coração era um calabouço já vazio.
(Prisco) – E agora sou, eu próprio, o prisioneiro.
(Prisco) – Esse sentimento doce e pueril...
(Prisco) – Me tomou e me impediu de ficar alheio...
(Prisco) – Tenho sonhos e planos aos quais quero cumprir;
(Prisco) – Mas nenhum se realiza, nenhum se ajeita;
(Prisco) – Não sei se vale a pena me idulir...
(Prisco) – Talvez pra esta arte, a minha mão não tenha sido feita...
(Prisco) – Aqui, contigo, em repouso... aqui me aquieto.
(Prisco) – Eu sou feliz no calabouço, inda que sombrio e incerto.
(Prisco) – Mas então lembro pra onde vou, onde pertenço;
(Prisco) – E me entristeço, me inquieto e fico tenso!
(Prisco) – Antes de ti, não me importava o meu caminho
(Prisco) – Depois de ti, já não consigo estar sozinho...
(Prisco) – Você ,de alguma forma, me deu fraqueza e esperança;
(Prisco) – Quem diria, nunca pensara... me transformou numa criança!
(Prisco) – Eu te amo mais que ao mundo e a poesia!
(Prisco) – Ponho os dois ao seu serviço, assim me alegro.
(Prisco) – Nunca pensei que alguma noite ou algum dia;
(Prisco) – Eu teria a sensação de estar tão certo!
(Regina) - *(Olhar doce, cálido, derretido. Voz suave)* - É tudo lindo o que me diz... nem sei falar...
(Regina) – É muito mais do que sonhei, nem posso crer...
(Regina) – Nunca pensei assim me apaixonar...
(Regina) – Nunca pensei em tão alto assim viver...
(Regina) – Mas de que certeza tu me falas? Quer dizer?
(Regina) – Gostaria de saber...
(Prisco) – Os homens nascem com uma certeza: Vão morrer.
(Prisco) – Todo o resto é enganoso, pode errar;
(Prisco) – Sentido, razão... nada pode conceder.
(Prisco) – Essa certeza que eu tenho de te amar!
*(Regina sorri calidamente e beija Prisco)*

Fim do segundo ato.

Matheus Santos Rodrigues Silva

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha V

Cena 02
*(Na praça, pela noite; Prisco e Regina apenas)*
(Regina) – Eu não posso crer, nem posso me controlar...
(Prisco) – É mais que forte que eu, que você, do que nós!
(Regina) – É um doce algoz, uma linda sentença...
(Prisco) – Sem a tua presença, não posso pensar, é difícil falar, manter a ciência...
(Regina) – Se é tão forte assim, não precisa lutar...
(Prisco) – Basta se entregar e sentir a mudança...
(Regina) – Pareço criança, querendo brincar... ansiosa. Inquieta, até mesmo moleca, te esperando chegar!
(Prisco) – Quão forte isso é!? Que assim nos deixou?!
(Regina) – Tão veloz que chegou, no meu peito o veneno...
(Prisco) – Rápido e sereno... um gole de amor...
(Prisco) – O que eu faço? O que eu digo? É o que eu me perguntava...
(Regina) – Meu amor? Meu Amigo? Assim me torturava...
(Prisco) – Tão firme isso é, que não consigo parar!
(Regina) – Só consigo pensar em estar com você!
(Prisco) – É mais forte que eu...
(Regina) – É mais forte que nós...
*Eles se aproximam*
(Prisco) – Amo a tua voz...
(Regina) – Me cala com um beijo!
*Se beijam*
Fim da segunda cena do segundo ato.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha IV

Ato 02
Cena 01: Na rua, pela tarde, perto do banco da praça. Entram Regina e as amigas, depois Prisco. O mendigo já está em cena, sentado com a mão levantada.
(Amiga 1) – Olha lá quem se aproxima, o rapaz que te deixou encantada!*(Regina fica sem graça)*
(Amiga 2) – Vai ficar aí parada?  Vamos! Vai pra cima!
(Amiga 1) – Se não quiser nada com ele pode dizer que eu quero.*(falando baixo)*
(Amiga2) – Se quiser  também, eu espero, até se cansar dele.*(falando baixo)*
*( Regina faz uma expressão que mistura surpresa com horror)*
*(Prisco se aproxima)*
(Prisco) – Veja só se não é a moça dos versos.!
(Regina) – Ora, se não é Prisco ninguém!
(Prisco) – Esqueça o sobrenome, eu lhe peço.*(com ar de brincadeira)*
(Regina) – Se me acompanhar até a praça, então tudo bem!*(insinuante)*
*(Ambos caminham até o banco da praça, no caminho o mendigo sentado fala com eles)*
(Mendigo) – Uma esmola por caridade!
(Prisco) – Nunca fui caridoso...
(Mendigo) – Então que tal por piedade?*(Cômico)*
(Regina) – Vamos! Seja bondoso!
(Prisco) – Escutou essa moça? Guarde bem o rosto dela.
(Mendigo) – Como poderia tal coisa? Uma moça tão bela...*(sorri para Regina)*
*(Regina ri baixo)*
(Prisco) – Ora, um mendigo galante. Tome aqui a sua esmola e vá comer.
(Mendigo) – Desculpe senhor, mas desse semblante, jamais em minha vida vou esquecer...
*(O mendigo sai, Regina e Prisco se voltam um para o outro)*
(Prisco) – Percebe o que acaba de acontecer? Percebe o que acabou de se passar?
(Regina) – O que?*(Com ar de espanto)*
(Prisco) – Dei uma esmola aquele homem por você, caso contrário nem pra ele iria olhar...
(Regina) – Então essa é a sua forma de me conquistar?
(Prisco) – Não foi isso que quis dizer*(embaraçado)*
(Prisco) – É que por você eu fui capaz de mudar...
(Regina) – Então eu fiz acontecer?*(Tom sarcástico)*
(Prisco) – Fez! E eu amei! Escute, não vou mentir... Desde a hora que te encontrei, que não consigo mais me ouvir...
(Regina) – O que quer dizer com isso? Uma linguagem de poeta?
(Prisco) – Não... Fui atingido por uma seta, me joguei de um precipício... isso seria linguagem de poeta... vê como é mais difícil?
(Regina) – Então se sente me explique, aqui, estamos só nós.
(Prisco) – Poderiam estar mil almas, só escuto o som da sua voz!...
*(Regina fica um pouco espantada, mas se encanta)*
(Prisco) – Eu sei que parece loucura, a mim não faz sentido também... Mas seu ar, sua doçura... eles me fazem tão bem...
(Regina) - *(envergonhada)* Nunca me falaram assim, confesso que estou impressionada... não queria acreditar que sim... mas acho que estou apaixonada...
(Prisco) – Ah...cheguei tarde então pra ti... *(Desanimando)*
(Regina) – Não seu bobo, volte a sorrir!*(Sorrindo e olhando nos olhos de Prisco)*
(Prisco) – Então é por mim que está apaixonada?
(Regina) – É... entrei numa cilada?
(Prisco) – Por que? Não sou a pessoa certa?
(Regina) – Como poderia ser? És um poeta...
(Prisco) – Essa ofensa eu posso aguentar... Já fizeram pior, pode acreditar.*(Tom jocoso)*
(Regina) – Eu amo a poesia e me apaixonei por um poeta... e se um dia isso acabar? Será tristeza certa...
(Prisco) – Me perdoe assim falar, mas o amanhã inda não veio. Por que encara o que virá  assim, com tanto receio?
*(Regina permanece calada e confusa olhando pra Prisco)*
(Prisco) – O amanhã é incerto... mas o que de certo há? Estamos assim tão perto, e nem sei se posso te amar...
*(Regina intenciona falar)*
(Prisco) – Escrevi uma poesia... intencionava lhe cantar... posso deixar pra outro dia...ou, se quiser, nunca mais voltar.
(Regina) – Gostaria de te ouvir, estou meio atordoada e a sua voz me faz sorrir...
(Prisco) – O amor é um senhor confuso, deixa louco o pensamento...
Como posso estar tão difuso, se a um segundo atrás só estava lendo?
Ela chegou e recitou comigo, uma voz da qual não consigo me livrar...
Ela chegou com seu falar amigo... ela chegou e não quer mais me deixar...
O que eu faço então? O que farei?
Dar a ela meu coração? Não sei!
Por mais que lute, mais que tente e me engane... longe dela eu não posso ficar...
Preciso ouvir um sim, ou um não, que se dane! Caso contrário meu coração vai me matar...
Então estou aqui moça e te peço: Dê um alento a este pobre coitado...
Um não e nunca mais regresso.
Um sim e será o ser mais amado!
O que me diz?
*(Regina ouve tudo com feição séria e a boca um pouco aberta, depois respira fundo e fala)*
(Regina) – Feche os olhos, tenho um presente pra te dar.
*(Prisco não entende bem e engole a seco e fecha os olhos. Regina o beija. Depois os dois se olham com expressão séria até rirem um da cara do outro. Riem bastante até que param. Se entreolham, dão as mãos e saem do palco.)*

Matheus Santos Rodrigues Silva

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha III

Cena 03: Mesma biblioteca, apenas Prisco falando sozinho.

(Prisco) – Engraçada essa moça, gostei do seu ar... preciso pensar noutra coisa ou vou me apaixonar...
*(Prisco para, com expressão de estar confuso e sorri)*
(Prisco) – Tarde demais eu diria... mas não posso me envolver...  Se tentar posso feri-la, mas a isso, preferia morrer...
(Prisco) – O que pode haver demais? Foi um flerte é passageiro. A vida é um troço fugaz, tenho de aproveitá-la por inteiro!
(Prisco) – Afinal, que mal há? Afinal não sou poeta? Uma mulher em cada bar?
*(Prisco sorri, mas começa a mudar de expressão pra desapontado)*
(Prisco) – A quem eu quero enganar? Só sou eu, Prisco... Não posso me apaixonar, mas quero correr o risco...
(Prisco) – Ah! Não há nada decidido, pode ser que nem aconteça, se acontecer, por outro lado, vira minha vida de ponta cabeça...
*(Mudando de expressões, em conflito consigo mesmo)*
(Prisco) – Não pode ser tão ruim... não pode ser tão mal, o que eu temo afinal? Eu não vou deixar assim!
(Prisco) – Vou procurá-la essa tarde. Vamos ver no que vai dar. Ela pode dizer que sentiu saudade, ou quem sabe me estapear... *(Expressões considerando as suposições feitas por Prisco)*
(Prisco) – Vou pagar pra ver. Não há muito que pensar. A acabei de conhecer, no mínimo vou me alegrar.*(Prisco sorri)*
(Prisco) – Me encantou aquela voz... tão doce... tão leve... Ela brilhava como dois sóis, temo até que me cegue...
(Prisco) – Ora, então que me encantei. A minha musa de outrora mais tarde direi: Me encantas!
(Prisco) – O que ela vai dizer? Não sei bem ao certo... mas ainda estarei por perto...de resto, vamos ver!*(Fala pra platéia, um pouco entusiasmado e sai do palco)*

Fim do primeiro ato.

Matheus Santos Rodrigues Silva


domingo, 26 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha II

Cena 02 – Numa biblioteca. Algumas estantes de livros.
Personagens: Prisco, Regina, amigas de Regina.
(Regina) – Onde está isso que não acho? Já procurei  de cima a baixo, estava certa de encontrar... e volto a procurar... Preciso achar! É o que vou declamar!: Pus o meu sonho num navio...*(Ela tenta se lembrar do resto do poema, quando surge Prisco. Sentado perto da estante ao seu lado)*
(Prisco) – E o navio em cima do mar, depois abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar...*(Regina ouve, sorri e continua a declamar. Olhando Prisco que se mantém fixo no livro que leva na mão)*
(Regina) – Minhas mãos ainda estão molhadas, do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos, colore as areias desertas...
(Prisco) – O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio, e debaixo d’água vai morrendo, meu sonho, dentro de um navio.
(Regina) – Chorarei o quanto for preciso, para fazer com que o mar cresça, o meu navio chegue ao fundo, e o meu sonho desapareça...
(Prisco) – Depois tudo estará perfeito, praias lisas, águas ordenadas...
(Juntos) – Meus olhos secos como pedras, e as minhas duas mãos quebradas.
*(Prisco olha para Regina e sorri)*
(Prisco) – É este aqui que está procurando. Tinha pego pra ler alguns poemas, mas pode pegar.
*(Regina  o olha nos olhos, sorrindo.)*
(Regina) – Eu ia pegá-lo pra ver um poema, mas me ajudou a lembrar.
(Prisco) – Prisco. Esse é meu nome. Poeta-escritor, e não passo fome!*(Prisco sorri)*
*(Regina ri)*
(Regina) – Pois eu sou Regina, estudante esforçada, leitora dedicada, mas não sei escrever...
(Prisco) - *(Fingindo surpresa, brincando, flertando)* Mas não pode ser! Alguém tão bonita e não sabe escrever? Declama Cecília sem se intimidar. Conhece dos versos, sabe falar... Se engana ou me mente, gostaria eu, somente, de poder comprovar!
(Regina)*(Percebe o flerte e entra no jogo)* Pois então que me diz? Seria eu boa atriz? Poetisa? Escritora? Ou quem sabe cantora dos versos de alguém?
(Prisco) – Sendo boa atriz, ficaria decepcionado, por um instante achei nivelado o teu olhar com o meu. Já poetisa, isso é certo, e escritora talvez... Se poderia cantar outro verso, talvez outro que ninguém fez...
(Regina) - *(Expressão de intrigada)* Então é possível cantar o nada?
(Prisco) – Só se estiver preparada. Pois ninguém é meu segundo nome... Desafio a cantar você, o que não conseguiu nenhum homem!
(Regina) – Mas que nome singular para um poeta. Prisco ninguém, chega a ser engraçado. Pois farei do teu verso a minha meta! E garanto, ficará impressionado!
*(Ambos sorriem e intencionam se aproximar mais, quando chegam as amigas de Regina)*
(Amiga 1) – Vamos Regina, temos de ir embora!
(Amiga2) – Já é passada a hora, o sinal irá tocar.
(Regina) – Mas...
(Amigas) – Não podemos esperar!
*(Saem as amigas e Regina. Prisco e Regina se despedem com gestos)* 

Matheus Santos Rodrigues Silva

sábado, 25 de dezembro de 2010

A sombra de uma escolha I

Ato 01
Cena 01
Personagens: O mendigo – (Na rua, pela noite)

(Mendigo) – Olá a quem me escuta, em especial a quem me ouve. Quem vos fala é quem temem que vos roube, que vos fala é um daqueles que luta!
(Mendigo) – O meu nome não importa! Não o irei dizer; não perguntariam depois daquela porta!*(Aponta pra saída do teatro)* por que agora iriam querer saber?
(Mendigo) – Estou aqui para lhes deixar ciente, de uma história, certamente, colossal! Que ocorreu nessas ruas, em minha frente. Que a mim mesmo pareceu ser irreal!
(Mendigo) – Aqui a ironia se faz presente. Comigo nunca quiseram conversar. Mas agora estão dispostos a pagar, pelo que de fato há em minha mente.
(Mendigo) – Pois então, se preparem para ver! É uma história de que sempre irão lembrar! Que levarão para além do anoitecer. Que pensarão no mais lindo luar.
(Mendigo) – Nessas ruas ocorreu e eu testemunho. E nenhuma mente sã pode negar. Se soubesse escreveria com próprio punho, sobre as sombras que uma escolha pode deixar.*(O mendigo fala altivo no começo, depois fascinado com a lembrança. Recorda sua posição e se refaz altivo. Depois se prepara e apresenta o espetáculo)*

Matheus Santos Rodrigues Silva

#Olá pessoa. Faz um certo tempo que não escrevo. Na verdade que não posto, pois escrever eu escrevi ontem. Começo hoje a publicar alguns trabalhos inacabados, como esta peça, na esperança de ganhar motivação pra continuá-los e terminá-los. Escrevi esta peça ao longo do ano e publicarei uma cena dela por dia, até ter encerrado tudo que já escrevi. Quem sabe não me vem inspiração pra escrever mais nesse meio tempo? Espero que gostem da obra e peço encarecidamente que deixem comentários sobre cada cena que lerem. É muito importante pra mim saber como isso vai ser recebido. A peça possui, até o momento, quatro atos. Os três primeiros com três cenas cada e o quarto com apenas uma cena feita. Bem, espero que gostem! Abraços!#