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domingo, 10 de outubro de 2010

Sobre as eleições presidenciais

Venho escrever esse texto com um sentimento de indignação e até mesmo vergonha por alguns cidadãos de meu país e principalmente pela grande imprensa brasileira.
Estamos no início de um segundo turno e eis que surgem temas "polêmicos" envolvendo a opinião dos presidenciáveis. Um desses temas é a legalização do aborto. A discussão desse tema no contexto da disputa presidencial é totalmente ridícula! A legalização ou não do procedimento abortivo é assunto exclusivo do legislativo e não compete em nada ao executivo. A unica coisa que o presidente da república pode fazer é não sancionar uma possível aprovação e mandar de volta para o congresso, que irá reavaliar o caso e se considerar que a aprovação deve ser feita ela será, com consentimento presidencial ou não. Além disso, eu gostaria de destacar outro ponto importante: Somos um estado laico. A religião não pode permear as decisões políticas, pois não somos uma teocracia. Eu sou contra a legalização do procedimento abortivo por acreditar que seja a solução errada para este problema, mas não poderia jamais usar da religião para me justificar. Usar o tema do aborto, que eu repito: não compete ao executivo, para ganhar votos ou retirá-los dos adversários é baixo, é ridículo, é imoral! Aqueles que pregam coisas como "cristão não vota em abortista" estão agindo como os extremistas de estados que aplicam a sharia(lei islâmica) em seu cotidiano. Países esses que devem ser muito condenados por esses cristãos. Não é por ser cristão ou de qualquer outra religião que se deve condenar um ato a nível legal. O Brasil é um país plural, diverso. Não podemos aceitar que uma religião queira impor uma legislação baseada em seus preceitos. Isso seria como se igualar ao Irã ou ao Sudão. Não somos uma teocracia.
A ex-candidata Marina Silva apresentou uma interessante proposta em seu programa de governo: destinar um valor que representasse 12% do PIB nacional à educação. Essa é uma proposta de interesse de todo o país, mas eu não vejo nenhum dos outros dois candidatos tocando no assunto. Também não vejo a grande mídia colocando o tema em pauta e nem vejo os meus compatriotas cobrando de seus respectivos candidatos uma posição quanto a isso. 
Em 2000 foi aprovada a EC29 que vinculava 12% dos recursos das três esferas(federal, estadual e municipal) ao financiamento do sistema único de saúde(SUS) dando ao sistema mais estabilidade e proporcionando a sua melhoria. No entanto a emenda ainda não foi regulamentada. Depois de dez anos, não foi regulamentada e eu não vejo ninguém; nem candidatos, nem grande mídia, nem a população em geral cobrando uma atitude quanto a isso.
Educação e saúde são dois temas de extrema importância para nós brasileiros. São duas áreas das quais temos inúmeras reclamações. Então por que não nos preocupamos com elas? Por que não cobramos dos candidatos, de onde sairá o próximo presidente da república, uma postura quanto a esses temas? 
Outro tema que está sendo ridiculamente levantado é a questão da liberdade de imprensa. Alguns dizem que a liberdade de imprensa no Brasil está ameaçada e eu não consigo entender o por que. Primeiro: se a liberdade de imprensa estivesse ameaçada, não seria pela imprensa que essa notícia chegaria até nós. Segundo: A grande imprensa brasileira em si já é um veículo que cerceia a nossa liberdade a medida, por exemplo, que dá destaque a temas sem relevância presidencial como o aborto e passa dez anos sem tocar na questão da regulamentação da EC29. A essas pessoas que dizem que a liberdade de imprensa está ameaçada, eu pergunto: como?

As eleições presidenciais brasileiras estão cada vez mais se distanciando de um processo eleitoral e se aproximando de um reality show. As pessoas estão dando destaque a características pessoais dos candidatos e não a suas propostas. Pra falar a verdade as propostas estão se tornando raras nas propagandas políticas. Eu gostaria de dizer algo as pessoas que estão levando o debate político ao ridículo: isso é uma eleição e não um paredão do big brother.

Enfim, se você que está lendo isso está cansado dessa politicagem barata, se quer ver temas realmente relevantes serem discutidos, exija isso! Não dê crédito a temas inúteis e se for o caso entre em contato com os candidatos ou redes de imprensa e exija respeito! Eles não podem querer que discutamos aquilo que eles querem. Eles não podem querer desviar a nossa atenção do que realmente importa. Eles querem guiar o nosso pensamento. Eles querem direcionar as nossas cobranças. Trabalhemos para transformar este circo que chamam de democracia representativa brasileira num sistema que funcione!

Matheus Santos Rodrigues Silva

terça-feira, 22 de junho de 2010

Complexo de coitadinho

Depois das últimas coisas que vi, li e ouvi, eu precisava vir aqui pra expressar isso.
A campanha em torno da candidata Marina Silva do PV tem se mostrado um tanto quanto ridícula.
A imprensa coloca a candidata verde como a via de salvação, como a saída para os honestos, como a figura desvinculada da velha política brasileira. Cá pra nós, isso é uma piada.
A candidata verde se manteve durante trinta anos no PT, saindo em agosto de 2009. Este fato bastou para se montar uma aura de pureza em torno da candidata. Afirmando que sua saída se deveu as incongruências entre as propostas apresentadas pelo partido dos trabalhadores e o que se fez de fato e pelo pouco destaque dado a questão ambiental durante o governo LULA. Eu consigo acreditar nos motivos dela e acho até bastante corretos, mas existe um ponto nisso tudo que me irrita muito.

Marina Silva se tornou mais uma "coitadinha" desiludida pelo governo LULA, segundo a imprensa.

Não existem coitadinhos. Os políticos de modo geral, e no caso apresentado a candidata Marina Silva, procuram sempre se colocar numa posição agradável ao povo, e a posição de coitadinho é agradabilíssima! Quem não gosta do coitadinho?

Vejamos: O senador Cristovam Buarque deixou o partido dos trabalhadores em 2005 e disputou a presidência da república em 2006, mas em nenhum momento colocou sua decepção com o partido dos trabalhadores como base de campanha. Desde quando decepção é proposta de governo?

Marina Silva não tem nada de inovadora no quesito fazer política. Tem como candidato a vice um dos donos da Natura  e portanto, vinculada ao capital empresarial.
Seu partido, o PV, que se diz tão diferente dos outros, firma alianças estranhas tal qual PT e PSDB. Existem alianaças estaduais com partidos como PSDB, DEM... Fato vergonhoso e ao mesmo tempo muito comum na política brasileira.

Marina Silva e o PV fazem política como todos os outros partidos existentes no país. Qual o caso? Por que a estão colocando como via diferente?
A única coisa que difere a candidata do PV dos candidatos do PSDB e do PT é a total falta de base de governo.

Agora, voltando ao tema do coitadinho, esse complexo nacional é um tanto bizonho...
Por todos os lados se vêm injustiças e por todos os lados se vêm problemas, mas o povo brasileiro se recusa a tomar uma atitude. Esse tema foi posto em pauta, recentemente, numa aula de redação que tive. Se temos o conhecimento de que a coisa tá feia, por que não fazemos nada? A resposta foi essa: Por que a sociedade atual nos dá a possibilidade de amanhã estar por cima. Qualquer um, por mais difícil que isso seja, pode chegar lá, ou pelo menos é isso que se prega... Se você está na merda e sendo pisado hoje, fique tranquilo, amanhã é outro dia e você pode estar pisando em alguém!
Agora, o que isso tem haver com ser o coitadinho? É simples: Enquanto você não chega lá, tome uma postura defensiva.
O clichê nacional faz questão de transformar aqueles que estão "por baixo da carne seca" em vítimas, em coitadinhos. É assim com pobres, é assim com a população negra, homossexual, com as mulheres... É assim com as minorias. Nesse quesito eu me incluo pelo que já fiz. Quem sou eu pra defender os interesses do "povo"? Eles não me pediram isso. Não posso simplesmente falar por eles.
Não existem coitados, apenas pessoas! Aquele que estiver por cima vai ser sempre ter uma escolha: Oprimir ou não aquele que está por baixo. E a história tem nos mostrado que a segunda opção é pouquíssimo escolhida...

Temos que amadurecer políticamente. Não podemos votar num candidato ou candidata pela beleza física, nem pela identificação pessoal e nem por que ele é um "coitadinho" "batalhador". Temos que votar por aquilo que o candidato oferece em termos práticos. Temos que votar pelo discurso e pelo histórico do candidato. Temos que votar pela capacidade. E isso não é uma vontade minha simplesmente. É a prova da história.

Por último, façam essa pergunta a si mesmos: Se fosse necessário que realizassem uma cirurgia de alto risco, quem vocês escolheriam: Um médico comprovadamente capacitado ou um que vive matando paciente, mas que está se esforçando pra um dia chegar lá?(o coitadinho).

Matheus