sexta-feira, 11 de junho de 2010

A um semblante

Raiz aveludada, toque terno que me tange
o tegumento todo o tempo , sem tocar...
Serenidade cálida envolvente;
Cravada e ramificada no meu peito;
Suga dele todo o nutriente;
Tira dele toda a vida... e eu aceito...

Raiz alegre, de ti nada quero.
Apenas ver-te inspirou-me uma poesia.
Garanto que de ti nada espero,
mas obrigado por conceder-me essa alegria.

domingo, 6 de junho de 2010

Peso morto

Evoco as forças que não me esquecem
a malograr um inimigo intento;
não sabem eles com quem lidam e apodrecem
a vociferar inutilidades ao vento...

Imbecis vos digo, pois assim vos penso.
Assim vos vejo e nada vai mudar;
vos considero mortos a rastejar,
pela podridão do próprio desalento.

Escárnio vil de um infeliz passado...
Restos solenes de uma cultura morta;
sois do que lembro o que menos importa;
gentalha imunda a se deixar de lado.

O que sois senão uma lembrança amarga?
Chagas estúpidas de um tropeçar qualquer.
O que sois senão uma simples praga?
Não sois nada do que podem ser...

Não passam de vermes a consumir carniça;
semblantes de maldizer e cobiça;
não passam de mortalhas vis...
Corpos jovens com almas senis...

São figuras sem significado...
Apenas fantasmas vivos...
...ecos do passado...

História

Amanhece nesse instante
Ouve-se a voz do infante
Declarar que a noite clara
Trouxe o inimigo para
Perto da fronteira, e agora?
Pergunta-se quartel afora...

As tropas de fronte raivoso
Ânimo vil e animoso
Passaram a noite fria
Marchando em euforia
-Chegaram a nossa frente
Com olhar impertinente!-
Disseram ao comandante
De triste e senil semblante
Que desgostoso dessa vida
Olha a força inimiga:
-O dobro de nós- Ele disse...
-Não venceremos- Que triste...

Planeja-se a fuga com vontade
-Pela rota primeira sai a metade-
Declara o tenente.
-E quanto a nós? Quando vamos?- Grita algum demente.

-Meu senhor, e a coragem?-
-Lutar contra eles? É insanidade!-
-Meu senhor, e o povo?-
-Não se preocupe com eles. Nascerão de novo.-

-Meu senhor, é errado...-
-E tu és desgraçado!-
-Me ajude e se cale!-
-Esta turba de infames nada vale!-

Tem começo a retirada.
Louca e desesperada
Sem motivo, sem porquê...
É difícil assim de ver?

Corre o grupo de malditos
Saltitantes aos gritos
Fugindo do ferro e do fogo
Se escondem atrás de um morro.

-E agora, senhor? Que fazer?-
-Agrupar e se esconder!-
-Mas, senhor, estão nos humilhando...-
-Não se preocupe pois eu tenho um plano!-

E lá se recolheram o senhor e os demais.
Uma tropa de oficiais.
Tatus abaixo da terra.
Heróis da pátria... heróis da guerra...
Ardilosos eles foram;
Escondidos atrás de um morro
Passaram aquela tarde...

De repente se ouviu então
O esbravejar de um poeta,
Gritos e mais gritos, morte certa,
Eles atacavam o portão!

A cidade sitiada, todo povo a correr,
Fuga desenfreada... estão livres pra morrer!

Abandonados foram por seus oficiais,
Só lhes restava resistir... resistir... nada mais!

Começou a vil batalha, os oficiais a assistir.
Tiros e mais tiros, não parava, e as balas a se esvair!

Dor, angústia se via... em cada semblante esquecido;
Lutavam por suas vidas contra o furor do inimigo...

Um horror tão poderoso que chorou o capitão...
Tantos tiros e tantos corpos... espalhados pelo chão...

Aquela noite passaram ouvindo o murmurar
De corpos e mais corpos agonizantes ao luar...

Era demais pra se lembrar... escolheram esquecer...
É mais fácil de aguentar, é melhor que enlouquecer...

O dia raiou novamente.  Céu tão lindo e vistoso
Que chegava a ser desrespeitoso tanto brilho em meio aquilo...

-Os inimigos sumiram- Disse o tenente.
-Vamos checar- Disse um coronel.
-O que é isso!? Meu deus do céu!
-Estão todos mortos! Todos mortos...-

-Quem está morto?!- Disse o general
-Toda força do nosso inimigo...-

-Não pode ser! É um milagre!-
-Onde está o povo?-
-Por todos os lados...-
-Todos estão mortos...-

-Se acabaram...-
-Lutaram pelas próprias vidas...-
-É claro, imbecil! Por que mais lutariam?-
-Não sei... mas eles perderam...-
-É assim a guerra. Uns vencem e outros são derrotados-

-Mas... e quanto a nós?-
-Vencemos...-

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Estações

A noite veio, só mais um dia,
 nada esperava, e o sol sumia...
Segundos passaram, num passado distante;
As estrelas vagavam, pelo céu de brilhante.

Certa voz eu ouvi, num segundo final;
uma pergunta feita e então respondida,
questão findada, veio a despedida ,
um dia qualquer... um dia normal.

E então veio o dia, o esplendor da aurora
que refletia e chamava à toda vida lá fora;
chamava e dizia: Ai que alegria!
Chamava, chamava, sorria, calava...

E o dia se fez de passos e cores
na noite de vidro sem porquês nem pudores;
e o dia se fez de sorrisos e abraços,
sempre prometidos e nunca tocados;

E o dia se fez na pura poesia,
ninhos de pássaro que em outros olhos eu via;
terras distantes, mares profundos,
rios e pedras de todos os mundos!


Tanto e tudo pra se falar
e revelar a história de um dia;
tudo que existe entre o céu e o mar
e que não via ou tocava, sentia!

E fez-se da aurora a mais bela rosa
em idos da primavera que de perto se via;
vertido foi o néctar de flor tão honrosa,
beleza tão prosa quanto poesia.

Era noite!- Diziam, mas eu via dia,
nos escuros talhados, as estrelas distantes,
se faziam faróis, luminosos, brilhantes,
e como num sol toda a noite Luzia!

Cada toque distante e sorriso calado...
Era impressionante o que aquilo fazia,
o distante ficava no passado,
e o presente... tão perto, inundado em alegria!

O dia seguia com seus vários astros,
brilhando, brilhando... em tudo que existe!
Procurei por olhos e os achei tão vastos!
Estavam tão castos e não mais tão tristes.

Os astros me viam, as pessoas me olhavam,
e então eu ouvia: - Olha pra outro lado!
E eu não conseguia... era um fardo canção;
tão difícil e alegre... sem porquê, sem razão.

As ousadas estrelas piscavam distantes
entreter-me já não podiam e por isso brilhavam
mais e mais e não se esgotavam;
já não me encantavam tanto como antes.

E meus olhos abriram, e meus olhos fecharam,
num despertar calaram, os meus lábios então.
um toque que tão somente de tão docemente prendeu minha mão,
lavou minha alma... e as pessoas olharam e as estrelas piscaram... e então... então...

O doce caminhar em cada momento,
cada pensar que nada dizia
e o sentir tão puro me consumia,
que eu mal sabia o que estava vendo...

Mas ela dizia e era verdade... o que ela dizia?
Misturou-se a vontade com a alegria.
O som do luar que tudo ilumina,
levantou-lhe o olhar e deixou-me sem rima.

E tocava e tocava... dedilhados da lua,
que na tarde mostravam minha mente tão nua!
Tão frágil, é verdade,
coberto de amor e vulnerabilidade...

Terminava o dia e me abraçava,
e então sorria, e então chorava,
a primeira ela, o segundo o peito,
beijou-me ela, fiquei sem jeito...

Perdeu-se a força e a palavra
já não podia, já não ligava,
eu só sentia, continuava
amando tão perto em mim.

O dia foi, a noite veio,
e eu pensava, já algum receio;
eu não temia, porém já nada,
o que eu amava era maior!

Um canto fez-se, e o dia veio,
a sair me pus, não a passeio,
obrigado estava a sair de casa,
olhar as ruas, já tão sem graça...

Sem ser, sem ela
não mais falava;
só mais um dia... me conformava,
aguardo, aguardo sim!

O tempo foi, e era dia;
nada que estava me comovia;
o amor sentido não me deixava,
e eu o dizia sem ter palavra:

O tempo foi, também foi ela;
foi-se o perto, caiu por terra,
perdeu-se o toque, mas não ligava
se me perdia, não mais me achava.

E eu gostava, eu não queria,
ser encontrado, na noite ou dia.
queria apenas, sentir-te agora
não deixaria que fosse embora.

-E agora e agora?-
Eu perguntava.
Mas que maldade. Eu não sabia.
Que saudade era assim...

Chegou-me então a vil palavra,
e cada linha me dilacerava!
Mal pude ler e já chorava...
Sozinho, me fez você.

E então em prosa, não mais poesia,
veio o silêncio, foi-se a alegria,
morreu-se o alento e a esperança,
exigiu-me a calma de uma criança.

Perdido estava, mas já sozinho.
Eu procurava por um caminho.
Anjos eu vi e os rejeitei.
O porquê disso eu já não sei...

O que me fizeram?
Foram palavras!
Apenas lidas, jamais faladas...
Achado eu fui então...

Quebrou-se o elo que nos ligava,
o sentimento já me doía,
uma dor tão forte, uma agonia!
o que faltava? Uma palavra...

Do céu brilhante se fez a dor,
o que eu esperava jamais voltou,
e o tempo morto que só chovia,
só me lavava e me esquecia...

Distante está setembro agora;
não mais espero, estou lá fora
olhando o mundo que me rodeia
que tanto me ama quanto me odeia.

Eu esperava... eu não devia...
Eu te cobrava... mas não sentia...
Qual o erro?... O desagrado?
Justo por mim mesmo fui derrotado...

A luz da estrela tanto me agrada,
mas sinto falta do que eu sentia,
achar na vaga a calmaria,
o vento não diz-me nada...

Eu não mais sinto... estou vazio...
Não mais te lembro, és só um eco...
Um sentimento já tão sutil.
Se eu dormia... então desperto...

Não. Mas não foi ilusão.
Não foi sonho, foi verdade.
Por mais que tenha findado a saudade.
Eu não sonhei... não... não!

Um sentimento de uma’lma amiga.
Um sentimento já tão raro,
Me parece claro:
Mesmo que suma o amor... a beleza fica!

Matheus Santos Rodrigues Silva

*Achei essa poesia nos confins do meu mp4. É bastante velha, mas nunca é tarde pra postar*

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Anúncio de publicação

É com muito orgulho que eu venho até aqui anunciar que serei publicado!

Duas poesias de minha autoria, "O homem" e "Solaris", foram selecionadas para compor a antologia poética de nome "O segredo da crisálida" pela editora Andross.

A publicação acontecerá em agosto em São Paulo, mas estará disponível em outras regiões do país(incluindo Salvador).

Quero agradecer a todos que acompanham o blog e pedir uma força na venda do livro! xD

Um enorme abraço a todos!

terça-feira, 1 de junho de 2010

To somebody that I don't know

You have something that I want
You have something that I need
Yeah, I know, I could be wrong,
But it is not what I see

You have the place where I’m happy
You have the colors and the tastes
If you give me a chance, I promess, I’ll follow you
To any home… to any place…

To the skyline, across the universe
To every moment kind, when everything is right or everything in reverse

I don’t speak in my mother’s tongue,
But I assure you: That I’m not wrong!

Just hear me, one more time
Take my hand, we’ll to the other side!

I’m not speaking with somebody I know,
Maybe I am, but I don’t think so…

I’m talking with who want to listen
I’m talking with who want to see
I’m not talking about a feeling missing
I’m just talking about you and me

Who are you?
Listen: I don’t know…
Where are you?
Listen: I don’t know…

When you will read it?
Listen: That’s no matter…
When you will met it?
Listen? That’s no matter…

Matheus Santos Rodrigues Silva

Crescer

Do tempo que persiste em passar em pranto,
roguei por saída, sim roguei;
chorei pela vida assim me amedrontando,
tive medo ainda que não mais rezei.

Amarguras vis que consomem a alma
são parte do fado do viver terreno;
uma hora irrita outra hora acalma
Aprendizado amargo, simples, puro  e pleno.

É por hora então que a vida exige
que se ascenda a alma e que o temor decline;
é hora então de deixar a geração triste
e como condor elevar-me ao vôo sublime.

Pois então entrego a mim a mesmo a solução
Que nada encerra se não outra pergunta:
Consciência minha que na noite afunda,
O que encerra o medo se não ilusão?

Matheus Santos Rodrigues Silva