sábado, 11 de setembro de 2010

Musa

Assustado eu vejo o mundo inteiro se desfazer em cinzas... de novo...
Os sons que reverberam em minha mente... devaneios de uma doença antiga... confusas notas deixadas por alguém que foi embora...
Está tudo desmoronando... é o fim... olho em volta e tudo que eu vejo está se esvaindo... é tudo pó...
Eu não consigo ver, nem ouvir, nem sentir, nem você... não consigo ver, nem ouvir, nem sentir...
Dançam as fadas do apocalipse; o fim de toda cachoeira e todo o eclipse; todo vento e toda a cor...
Um tufão! Está tudo girando e girando e girando! E a vida está correndo diante de mim... tudo treme, tudo rosna, tudo grita, é tudo medo... Toneladas de areia e choro e dor... Cada um deles desmorona diante de mim... quedas terríveis! E as pessoas buscam... elas buscam... elas fogem e eu quero fugir e eu quero chegar, mas eu não consigo... eu quero chegar ao outro lado... ninguém consegue... ninguém pode e ninguém vê... por que? quando sangramos é o mesmo sangue... Eu não consigo chegar! Está morrendo!... (Map of the problematique)

Fim!
Linha de chegada de tudo que brilha e ultrapassa a mesmice desse mundo morto!...
Eu não vou esperar nesse caminho... que o ódio ascenda!
Ela via... ela sentia... ela chorava... ela tinha um nome... ela tinha um nome...
Não vou segurar o que não me cabe mais... 
E voamos, e caímos e queimamos... e ninguém lembrará... ninguém...
Essa é a última vez... é o último verso...
olho pro céu a procura das estrelas; elas sumiram... elas queimaram dentro de mim... e não há o que ver... só morrer... tudo não vale a pena... tudo não vale a pena...
Essa é a última vez.... é o último verso... (Stockolm Shyndrom)

Eu pensei que não... que ia perecer... quero quebrar o bem que você me fez...
Destruir isso... eu vou destruir isso...
Por que o meu tempo não vai voltar e nada mais vai me ajudar... eu não posso querer mais nada... por que não há mais nada...
Eu era livre. Você me prendeu... eu tentei te esquecer, mas estava viciado... 
Agora saiba eu estava preso por seu feitiço e você nunca deveria ter tentado acabar com isso...
Destruir você... destruir a imagem que existe de você em mim...
Como eu cheguei aqui?...
Você arrancou tudo que podia de dentro de mim...(Time is running out)

Controlei o que sinto por muito tempo... evitei o que sinto por muito tempo... guardei no mais obscuro de mim por muito tempo... me destruí por muito tempo...
Isso tudo me fez sentir as suas dores... isso tudo me fez amar as suas causas...
Tentei te agradar por muito tempo... tentei te poupar por muito tempo...
Isso está acabando agora...(Showbiz)

Vem, vai e não me deixa... estou te machucando de novo, eu prometo que essa será a última vez...
No seu mundo... eu não estava só... no seu mundo eu não sorria só...
Estou muito magoado pra te amar... estou muito cansado pra continuar assim... mas eu prometo: essa é a última vez... 
Se não fosse eu não sentiria... se não fosse eu não sentiria... (In your world)

Sons... medo... foi o que restou de nós dois...
Novo. De novo e de novo.
Tudo mudou e tudo sumiu ou sumirá... vai me ajudar a coexistir  com o frio de cada inverno...
Você me deixou doente. Por que eu adorava você tanto... (Space Dementia)

Por que isso tudo tem de te afetar? Meu amor é tão falso...
Você fez tudo da forma mais linda que eu poderia querer... você fez tudo tão perfeitamente... por que?
Eu quase enlouqueci... por que meu amor era tão falso... (Agitated)

No mural de minhas lembranças agora repousa a sua face... ao som de um dedilhado qualquer que faz do meu ser algo melhor... uma dor e uma alegria; o conjunto perfeito de uma felicidade lembrada que já se foi...
Por que você poderia ter sido a minha escolha mais estúpida e eu faria de você um ser perfeito... e nós andaríamos por aí rindo e chorando ao ver o mundo passar com todas as suas pernas diante de nós... Nós o seguiríamos e mudaríamos o seu trajeto da forma que quiséssemos por que teríamos força o suficiente pra isso; você e eu teríamos alcançado os céus! Você seria a única pra quem eu me abriria sobre as coisas mais tristes e mais alegres em mim... sobre tudo que me comoveria e sobre as minhas maiores revoltas... teria sido aquela que me confortaria apenas por sorrir ou apenas por me olhar e não prestar atenção em nada do que eu falasse... E eu estaria lá esperando quando voltasse. Estaria parado por que eu não teria escolha pois você seria a vida que habitaria a minha alma!...
Primeiro, houve alguém que mudou tudo em mim e que me ensinou a ver além... e destruiu meus sonhos e tudo em que acreditei e ela nunca seria melhor que você...
Você poderia ter sido algo muito lindo! Mas já não é o que eu esperava que fosse... você é agora alguém que eu não sei precisar...
Eu perdi uma chance única. Você perdeu a maior que teve de saber o que existe além dos símbolos...
E eu não vou mais estar lá esperando por que agora eu sou livre e preciso querer ficar... e eu juro que eu conseguiria ser assim... e esqueceria de tudo e nada mais do que me disse significaria... eu conseguiria ser assim... antes de você... (Unintended)

Eles amaciam os meus ouvidos... são sons belos de um novo mundo... 
Longe... estou tão longe de tudo de que eu me lembro e das pessoas que se importam comigo...
Aquela luz eu vou seguir aquela luz até o fim da minha vida, mas não sei se isso importa mais...
Minha vida... ela está andando de volta fora de trilhos antigos...
Eu nunca vou deixar você ir. Prometo que nunca deixarei, seja lá quem você for...
Quando eu te encontrar... espero saber... se eu não souber, me diz, por favor!
Pois eu só quero te segurar em meus braços, não quero mais nada de você... só te segurar nos meus braços...
Longe... eu vou estar muito longe e tudo que eu conheço não valerá nada até que tudo morra...
Aquela luz... eu vou seguir aquela luz... mesmo que eu ainda não saiba qual delas é... eu vou seguir... (Starlight)


"Essa é uma tentativa de passar as impressões que eu tive quando juntei as coisas que eu sinto e vivo aos temas e sons das músicas citadas da banda Muse. Algumas coisas foram tiradas das letras, outras dos sons, mas nada é parte de uma coisa só. Tudo isso é um reflexo de algo que havia em mim e reverberou no som"

Matheus Santos Rodrigues Silva








sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Rex

Os anjos levantaram numa prece rouca e calada para anunciar a sentença.
Aquele que desafiou as leis dos céus e dos infernos deve pagar!
A divindade outrora partida em duas metades jamais pode se juntar!

A perfeição é procurada por cada alma que vive ou morre neste mundo. Os vivos a procuram em seus atos, os mortos em sua futura “paz”. Os fortes a buscam no desafio, os fracos na justiça divina.
O medo inocente de cada passo reverbera em seus tímpanos. Ele não teme. Ele só guia.
Era tão certo que se errasse... mas ela temia. Duas almas estrangeiras de um mundo patético. O que era aquilo?
A vida transpassou o mero ato de mover-me e respirar. Estava em cada gesto e em cada toque e se reproduzia patologicamente em acessos de descontrole.
Foi impossível resistir ao magnetismo das almas. Assim foi cometido o pecado. O paraíso não pode ser tocado por mãos humanas.
Negada foi a graça de viver. Um simples sobreviver foi consentido por piedade, que é a maior graça neste mundo miserável.
Foram convocadas as criações humanas de maior temor. As horas, os dias, as semanas, os metros e os quilômetros, para uma missão simples: matar.
Da forma mais simples e cruel ou mais complexa e piedosa... não importava. Contanto que matasse.
Puseram uma alma em sua decisão senil de permanência e a outra em tentativas vãs de fuga... tolos...
Dias e quilômetros se passaram com uma aparente morte do paraíso alcançado, mas ele não morreu... Moribundo estúpido que não sabe a hora de deixar o corpo e viver nas planícies do lembrar junto com tantas lembranças... Por que?
Não morrer não fez do moribundo tolo um Augusto, mas apenas um César. Sufoquem-no!
Com mil outros corpos e apenas um; com mil outros fatos vãos e trivialidades; com almofadas e travesseiros, com o que houver.
Calado. Paraíso calado que em vis momentos se livra da mordaça e liberta o som mais triste, diabólico e mortificante. Um grito de horror e desespero que gela as almas e crepita os ossos de todo vivente e todo aquele que se decompõe nas valas imundas do que chamam de civilização. Palavras a tanto esquecidas, por que lembrá-las? Um grito da mais pura imundice da natureza humana: Eu te amo!

Somos a marca da besta e a crença
de que o que sobrevive as farpas deve acabar
pois é só um borrão torpe a se apagar!

Matheus Santos Rodrigues Silva

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A beleza da poesia e sua vileza estúpida e vazia são dois pólos de um mesmo norte...

Figura bela e doce de um pensar esquecido no tempo.
Esquecido pra ser lembrado e lembrado ao tocar do vento.
Luz que invade o calabouço, eu ouço o teu passar.
É  venerado o  teu brilho, seja de sol ou de luar.

Mancha, mácula eterna. Débil praga de um só lamento.
Verdade sutil, escárnio. Corte sangrento que em vão lamento.
Doçura... pura...

Belo. Sortido estado de brilho e alento de um espírito alegre.
Ele sorriu aos transeuntes. Queria passar.
Fitou cada semblante com um só olhar que era tão ambíguo...
O que sentiria? Nada importava. Nada importa de fato. O entendimento escapa do devaneio. Não é válido...
Dançou. Com mil musas diferentes de mil lábios quentes e olhos que reluziam um único pensamento: belo!
Cansadas as musas vieram as ninfas, depois as tulipas e rosas e margaridas... Todas esquecidas pela sacra memória que olve a si mesma.
A música tocava-lhe os tímpanos e só lhe dizia uma coisa: Sois belo.
Ele sabia. Tinha plena certeza do estado débil e variado que podia causar o seu olhar, seu toque, seu som. Tinha certeza de ter vivido o suficiente pra entender isto e isto lhe era odioso...
Alegria. Mil vezes a trouxe como um anjo que pende do céu com uma flor e uma boa nova. Foram tantas que ele mesmo se alegrava com o que trazia. A doce lembrança do bem feito era consoladora. Lhe trazia a sensação de utilidade e significância.
Estranho... essas lembranças nunca se findavam com algo bom...
Dor. Ela esteve lá em cada sensação. Com cada musa. A primeira que ele conheceu lhe impôs a tirania de mil navalhas antes de tomá-lo em seus braços e sorrir. Sim. Ela sorriu pra ele e tudo se acalmou.
Em cada passo que dera pôde ver que a dor acompanha todos os traços de alegria. Como o som estridente do violino acompanha as cordas mais graves numa harmonia plena. A dor que causara, a dor que sentira... faziam parte do mesmo enlace de suas alegrias.
Elas lhe causavam prazer. A plenitude de seus sentimentos lhe causava prazer em todos os pontos. Dores e felicitações lhe eram belas como são belas as pétalas e os espinhos de uma rosa.
Ele aprendeu a ser tudo, a sentir tudo, a viver tudo. Cada laceração nova em seu peito lhe dava a certeza de que estava vivo. Cada gota de sangue era a prova de sua existência e se misturavam com cada sorriso...
Ele deu tudo a elas. Tudo que elas quiseram receber. Cada gesto, cada toque, cada olhar e sensação que lhes eram próprias. Tirou cada uma de seu paraíso ou inferno e as levou ao limbo das sensações humanas. Ao âmago do ser que sente e é consciente disso.
Cada significância limitante perdeu  o significado.
Ele as feriu. Arrancou-lhes pétalas, espinhos, seiva, carne, sangue, saliva, suor e sons.
Cada pedaço o habitava. Num lugar único que a mais ninguém era permitida a entrada.
Perguntavam muitos: O que seria aquilo?
Um louco, alguns diziam.
Talvez um anjo. Atirado dos céus pelo pecado de amar.  Um híbrido entre o mais divino e o mais profano. O mais tentador e o mais edificante. Algo entre o sacro e o diabólico... um ser humano.

Matheus Santos Rodrigues Silva

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Notas de um observador

Noite. Momento magno de meu sentimento.
Em teu palco dançam nuvens de tormento
Enquanto me fita um olhar rubro
do sangue impuro dos imortais.

Céu. Negro como o fundo de meus olhos;
encoberto por um manto fosco;
usurparam a pureza do teu rosto
teus dias glórios já não voltam mais.

Do alto me olham quatro gigantes
imponentes a bloquear a aurora,
brilhando em seus artifícios ofuscantes
forçando o negro a ir embora.

Seus raios a ferir o céu,
abrem chagas em todo o firmamento
e ele chora sobre o meu papel
uma lágrima marcada e sem nenhum alento.

Coberto está todo o horizonte
pelo manto fosco da angustia e da dor
e eu ouço chorar lá ao longe
o som da noite que já se apagou.

Ao longe brilha uma esperança;
pisca um astro febril;
executa a mais bela dança
que nos ares dessa escuridão se viu.

Em meio do manto do desespero
abre-se um caminho novo
por onde passa sorrateiro
o brilho que eu julgava morto.

Só por um instante é que ele fica;
um instante a me fazer sorrir;
um instante único de vida
onde toda a dor põe-se a dormir.

É um instante até que o manto cresce
e toma de mim a luz que eu tanto amo;
sem luz, a pena que eu uso, apodrece
e o próprio brilho torna-se um estranho.

Sem pena eu tomo uso da caneta
e escrevo grossos versos de pesar
que bebem chorosos, pela noite preta
as lágrimas que beberia o mar.

E o vento sopra... sopra em meu papel
arrancando as letras de toda a palavra
arranca de mim e leva logo ao céu
pra que lá ao longe ela seja lembrada.

E assim corre o mapa a me encarar;
tão vasto e profundo em sua escuridão
o belo e eterno amante do mar
o grande carceireiro do meu coração.

Matheus Santos Rodrigues Silva

Pra moça do sorriso lindo

Eu quero escrever esses versos pra menina que sorria
quando eu, mergulhado no sono, vi a noite virar dia.
Ela disse algo importante que logo me fez pensar
em como uma frase bela ou um simples verso pode alegrar.
Engraçado o que ela disse, pois me fez perceber
o efeito que uma simples palavra pode ter sobre você.
Esse poema não tem forma e a forma onde eu o fiz vai ser jogada fora
por que a forma que formou o sorriso e a dona dele o foi também!
É engraçado e bem bonito lembrar isso agora.
Um sorriso igual àquele eu nunca vi em ninguém!
Moça do sorriso lindo, espero que esteja gostando
pois eu faço de coração e com o toque mais humano
que eu posso ter para escrever
esses versos sortidos de timbres variados;
tão mal acabados e com tão mais por dizer...
Eu sei que no fim não vai ser tão bonito.
Não vai descrever teu sorrir de marfim.
Me desculpa, mas esse é o melhor que eu consigo
E com um muito obrigado é que eu chego no fim.

Matheus Santos Rodrigues Silva

sábado, 4 de setembro de 2010

Sem motivo pra fazer... sem motivo pra não fazer!

Se é vazia a rua, por que visitá-la?
Se é escuro o túnel, por que explorá-lo?
Se tem espinhos a rosa, por que tocá-la?
Se queima o raio de sol, por que olhá-lo?

Se pensasse assim o mundo eu não estaria
fazendo agora estes tortos versos
e podem ter certeza, fiquem certos
de que nada que conhecem existiria...

Se eu não quisesse rimar, assim faria;
sem rimas ainda sou poeta.
Rimo apenas por pura ousadia;
é a liberdade tênue que me completa

Se eu sou livre pra nada fazer,
também sou livre pra querer voar
e por que tenho que ficar no querer?
Querer só nada, eu vou executar!

Matheus Santos Rodrigues Silva

Promessa de Serra



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Olha só que coisa engraçada isso aí.