Triste penedo, cruel mortalha em vil rochedo.
Olhar de sangue vivo lastimante, veneno puro incurtido num amante.
Medo. Silêncio vil que arruina a alma.
Cálice inculto, outorgado por uma voz que não ouço.
Punição imunda! Por um crime que não cometi.
E esse barco afunda... pra dentro... cada vez mais dentro de mim.
Verão perdido. Em sóis de brasa consumido pra não mais voltar...
Inverno insoço. Passado inda moço, que quer me assombrar...
Não mais... vil o crime... se foi...
Perda madura. Mil anos de história. Lutou pela glória.... glória...
Entro no quarto, me desfaço das malas e do casaco.
Eu procuro falas... eu procuro falas...
Tormento. Mentira torpe que a mim conto. Fala ensaiada, papo pronto...
Esquecimento... graça negada por uma cabeça astuta... quem diria... astuta!
Fim. Marco que separa dois tempos, passo a ser dado. Espaço divisor entre a linha que choro e o outro lado...
Fim... Espaço real, o que de fato existe. Do qual posso dizer, mesmo que triste, voltará!
"Que fique muito mal explicado! Não faço esforço pra ser entendido! Quem faz sentido é soldado!" - Mário Quintana
domingo, 25 de abril de 2010
O mar
figura estranha que banha cada passo que dou;
Manto espumante de gosto cortante, me mostra o que sou...
Navego, navego... Inquietude lasciva... guardada nas ondas, segredo da vida...
Sobre, não há nada;
Sob, jóia rara;
Inverto a direção pra chegar em lugar algum,
chegando em algum lugar preferia estar em nenhum...
Aqui. Me afoguei, desci, me encontro aqui.
O que mais me resta? Desistir?
Não...
Contemplando a concha, ostra-mestra fechada. Em madre-pérola formada, pra nunca se abrir...
Pedi. Com leves cantos pedi. Engolindo água, inda assim pude ouvir...
Tão rara. Pérola pequena... tão pequena... tão rara...
Não pude crer, o que vi já me atara...
Só pude sentir, pois que já me consumia...
Perdido... Nos mares distantes me fiz já perdido...
Afogado, estranhado, há muito olvido...
Mas à pérola não...
Peguei. Com mãos que cantavam, atrevido eu peguei.
Beijei, em meus lábios, teu brilho tomei;
Com as mãos em farrapos, ao peito levei...
Guardada. Por sete mares navegados, enfim, procurada.
Esquecidos tratados que não podem ser ditos...
Pois entre leões e leões... não há tratados!
Vento... Que pra mim significa? Nem maré, só a corrente... ela me leva docemente... ela me leva docemente...
Manto espumante de gosto cortante, me mostra o que sou...
Navego, navego... Inquietude lasciva... guardada nas ondas, segredo da vida...
Sobre, não há nada;
Sob, jóia rara;
Inverto a direção pra chegar em lugar algum,
chegando em algum lugar preferia estar em nenhum...
Aqui. Me afoguei, desci, me encontro aqui.
O que mais me resta? Desistir?
Não...
Contemplando a concha, ostra-mestra fechada. Em madre-pérola formada, pra nunca se abrir...
Pedi. Com leves cantos pedi. Engolindo água, inda assim pude ouvir...
Tão rara. Pérola pequena... tão pequena... tão rara...
Não pude crer, o que vi já me atara...
Só pude sentir, pois que já me consumia...
Perdido... Nos mares distantes me fiz já perdido...
Afogado, estranhado, há muito olvido...
Mas à pérola não...
Peguei. Com mãos que cantavam, atrevido eu peguei.
Beijei, em meus lábios, teu brilho tomei;
Com as mãos em farrapos, ao peito levei...
Guardada. Por sete mares navegados, enfim, procurada.
Esquecidos tratados que não podem ser ditos...
Pois entre leões e leões... não há tratados!
Vento... Que pra mim significa? Nem maré, só a corrente... ela me leva docemente... ela me leva docemente...
terça-feira, 20 de abril de 2010
Horizonte
Me inquieto quando te penso,
meu corpo não pode evitar;
Seu nome não quer me deixar,
me levo a pensar nesse extenso
sonho-verdade, nesse misto de estar e saudade...
Me inquieta o que posso ver;
Pela beleza do que é...
Pela amplidão do que pode ser...
meu corpo não pode evitar;
Seu nome não quer me deixar,
me levo a pensar nesse extenso
sonho-verdade, nesse misto de estar e saudade...
Me inquieta o que posso ver;
Pela beleza do que é...
Pela amplidão do que pode ser...
Tema- Existencialismo
Somos uma determinação não dada.
Somos responsáveis por nossos atos, nossas escolhas e nosso passado.
A existência vem antes da essência. A existência se impõe a nós e por ter consciência de que existimos, buscamos um significado para ela. Somos livres. Somos obrigados a ser livres.
São algumas das idéias existencialistas. Concordo profundamente com elas.
Ainda vou escrever algumas coisas sobre o existencialismo, mas agora queria apenas fazer uma crítica a uma de suas “pregações”: O existencialismo diz que podemos mudar a nossa essência a qualquer momento. Eu discordo dessa parte.
Se a nossa essência se constrói com a nossa vida, e o passado, aquilo que fomos, tem uma essência definida, significa que nós também a temos, pois temos um passado.
Nossa essência pode até ir se formando com o passar dos tempos, mas a cada dia ela fica mais firme. A cada dia temos um passado maior, portanto uma essência maior.
Não acredito que a nossa essência seja simplesmente formada durante a nossa vida. Acredito em algo prévio a isso, que pode ou não ser desenvolvido. Não vou entrar no mérito ciência X religião disso, não agora.
Existe algo em nós. Algo maleável, mas que possui uma certa rigidez. Pode ser moldado até um certo ponto. Isso se mostrou no próprio Sartre. Ele tentou se tornar mais “engajado” politicamente, mas nunca obteve o êxito que pretendia. Nessas tentativas de ser soldado, ele foi escritor. Eu acredito que seja assim. Existe uma força inicial que pode ser usada ou não. Existia nele, e ela foi usada. Conforme viveu sua vida, Sartre moldou sua essência. Seu passado só foi confirmando a essência inicial e a aumentando. E disso ele não pôde fugir.
domingo, 18 de abril de 2010
Sangue imortal
Chaga, marca indecente, em alma inocente talhada
Memória de destruição tão cruel quanto amada
Memória de destruição tão cruel quanto amada
Engana o olvido oh vã lembrança
Oh, frágil resquício da demolida esperança
Quem te disse onde mirar? De onde veio a dica certa?
Teus olhos, de que século conhecem minha alma?
Quem guiou tua mão? Quem guiou tua seta?
Por que me atravessa, passa, e só leva a calma?
De onde tu és? De onde viestes?
Que nome tens tu? Que nome me destes?
Como me desnuda? Como me desperta?
Como me vê preso e só pela metade me liberta?
Questões... questões... porquês... por que?
Tuas perguntas, minhas respostas. Minhas perguntas, sem resposta
Do que chamas o que gostas? Que me dizes? Que me mostra?
Eu vejo, encantado vejo e encantado quero ter
Sem perguntar... sem questionar... vai ser inútil?! Do que falar?
Responda, não te cales. Teu silêncio é um abismo para onde pular
Atraído pelo fogo, tal qual mariposa
Voo até o incêndio que em ti repousa
Doçura alada, concedeu-me tuas asas
Fizestes chama do meu peito em brasa
Queimas-te tudo, demoliu a casa
Trouxera o mundo! Deixara escaras
Feridas profundas num diabético ser
Dor que em ti começa pra fim não ter
Dor augusta, excelentíssimo ópio de tão forte
Beleza em tua lâmina, tristeza em meu corte
Tal lâmina-chama, deixa marcas tão raras
Chaga dourada, que pedi sem saber
Fada encantada, labareda a me arder
Chama apagada na ausência do beijo
Reacende e se apaga, muda o que vejo
É belo e é forte, é vivo e é morte, és tu
É sangue corrente, em veia demente, é tocar-ilusão
É vermelho vibrante, céu galopante em azul
É punho fechado, unido, cerrado em azul
É tudo isso, tudo e mais, azuis fatais e meu querer vão
Ascendendo e apertando, movendo e riscando, tecendo um borrão
Tua alma tão nua, minha mão tão tua, teu não tão meu
O que assim se insinua? Lira plangente de Orfeu...
Fui aos astros levado por tuas asas demolidoras
Beijei as nuvens, pedi conforto aos céus
Pairei nas notas das nove musas encantadoras
Beijei as almas das nove virgens, tirei seus véus
E pelo inferno convocado, desci com as mãos ao céu estendidas
Lá vi todas as mágoas, lá vi todas as vidas
Senti queimar nas lâminas-chamas minha alma a tuas asas presa
E decidi manter-me incandescente a queimar... não importa o que aconteça!
Matheus Santos Rodrigues Silva & Eduardo F. Maskell
O livro dos porquês
Porquês.
Certa vez eu li um livro com esse título.
Um menino pequeno perguntava muito, queria saber muitos porquês.
Acho que cresci um pouco como esse menino.
Fiz muitas experiências na infância. De diversos tipos. Químicas, biológicas, físicas. Sempre quis saber os porquês de coisas do gênero. Plantas, insetos, aracnídeos, répteis, mamíferos, bactérias, protistas, ácidos, quedas, forças...
Isso me deu muito conhecimento prático. Ainda tenho esse espírito questionador. Ele me acompanhou por diversos interesses que desenvolvi: Literatura, história... Mas cheguei, finalmente, a um limite nos porquês. Cheguei a arte.
A arte se expressa em diversas formas, até viver é uma arte!
Você não pode sempre saber os porquês da arte. As vezes ela não os tem.
O expoente disso é o surrealismo. É uma arte que não tem porque de ser. É uma idéia que não compreendemos bem e muitas vezes, por ignorância, rejeitamos e condenamos. Como pensar no universo como algo que não teve começo nem fim, ou que o tempo passa mais devagar a
velocidades relativísticas, ou pensar que duas retas se tocam no infinito. Idéias abstratas demais...
Temos um campo de pensamento limitado ao nosso próprio conhecimento.
Quanto menos conhecimento temos, menor é a nossa capacidade de compreensão.
Mas que conhecimento é esse? Não, não é o conhecimento acadêmico apenas. Não é só o que está nos livros. É o conhecimento prático, o experimentado diversas vezes, o refletido...
Os homens estudam diversas tópicos da ciência por anos a fio, sem conseguir alcançar a compreensão. Por que acham que com a arte seria diferente?
A arte é a ciência das sensações. O que ela te faz sentir é o que importa. Ela é aquilo que você sentiu e faz sentir.
Meus porquês estão ficando pra trás quando se trata de arte. Inclusive da arte de viver. Nem sempre existe um porquê.
O mundo todo nos exige motivos. O mundo todo nos exige atitudes e posturas. Inúteis...
Se parar pra se perguntar do porquê disso tudo, não vai encontrar respostas, se aceitar simplesmente, vai se perguntar por que...
Saber... você sabe de muita coisa não é?
Você gosta de saber de muita coisa não é?
Você é bom!
Então eu pergunto:
Qual a última cor que chamou a sua atenção?
Quais estrelas conhece? Quais delas são de fato estrelas e não planetas?
Qual foi a sua última palavra doce?
Qual foi a última vez que parou de perguntar, por que isso está acontecendo? E começou a viver isso? Sendo mal ou bom?
Os porquês estão escondidos num baú. Numa caixa misteriosa. Só possuímos um pedacinho da chave. Juntos, todos juntos, poderemos abrir a caixa e finalmente acabar com todos os mistérios do mundo! Desvendar tudo, desmistificar tudo!
Mas... por que?
Tradução
No mar eu me encontro
Sob o céu e as estrelas
Já, não posso vê-las, se não me virar,
Seus olhos castos, por que não me olham
As pedras pergunto, e a beleza peço,
do som me desfaço, o silêncio profundo
Olhe de novo
E de novo
E de novo
Maiane Chagas Dourado
Sob o céu e as estrelas
Já, não posso vê-las, se não me virar,
Seus olhos castos, por que não me olham
As pedras pergunto, e a beleza peço,
do som me desfaço, o silêncio profundo
Olhe de novo
E de novo
E de novo
Maiane Chagas Dourado
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