Me diz o que é que eu faço
pra sentir o teu abraço
me envolver e o teu sorriso
vir e é tudo que eu preciso
sentir na hora que me aperta
e me inquieta o pensamento
e passa o tempo
que me leva...
Me diz aonde eu corro, aonde eu grito
se subo o morro ou nem cogito;
se espero o passo
ou passo esperando
por um fracasso
ou um desengano...
Me diz pra onde eu olho
o que eu escuto,
pelo que eu rogo?
pelo que eu luto?
Luto?
Matheus Santos Rodrigues Silva
"Que fique muito mal explicado! Não faço esforço pra ser entendido! Quem faz sentido é soldado!" - Mário Quintana
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
Habeas corpus
O que eu sinto é ultrapassado...
Na verdade, você nem merece...
É um misto de dor e agrado
por um rosto que não se esquece...
Vivemos numa ilusão?!
Tanto ardor, tanta paixão?!
Tantas lágrimas... foi tão difícil...
Meu deus, você é um vício...
Eu não quero mais você...
eu não quero mais te olhar...
mas ainda a desejo tanto...
que o querer só faz voltar...
Trancaste a porta que eu te abria...
E abriste a do calabouço
do qual a chave jogamo fora...
joguei eu, na verdade; guardaste uma cópia no bolso...
Mesmo em presença do mar
tendo o sol por testemunha...
Vendo atrás de si o luar...
ouvindo a lira que eu compunha...
Teve dúvidas do que...
Teve dúvida porque?
E me pedia sinceridade...
meu amor, que maldade...
Hoje, sou eu quem duvida
que algum passo nessa vida
possa ser dado em certeza...
Só estou certo da beleza
do que eu sinto e que senti...
do que falei... do que menti...
Não me entristece a lembrança,
do que me falou a beira mar
parecia uma criança... contente só por brincar...
Naquele dia acertou...
acertou minha amada...
o tempo passou
e eu sinto a tua falta...
Mas saiba, meu amor:
Há pressa no que eu sou!
Saiba: O tempo corre!
E é certeza plena de que o amor morre!
Matheus Santos Rodrigues Silva
Na verdade, você nem merece...
É um misto de dor e agrado
por um rosto que não se esquece...
Vivemos numa ilusão?!
Tanto ardor, tanta paixão?!
Tantas lágrimas... foi tão difícil...
Meu deus, você é um vício...
Eu não quero mais você...
eu não quero mais te olhar...
mas ainda a desejo tanto...
que o querer só faz voltar...
Trancaste a porta que eu te abria...
E abriste a do calabouço
do qual a chave jogamo fora...
joguei eu, na verdade; guardaste uma cópia no bolso...
Mesmo em presença do mar
tendo o sol por testemunha...
Vendo atrás de si o luar...
ouvindo a lira que eu compunha...
Teve dúvidas do que...
Teve dúvida porque?
E me pedia sinceridade...
meu amor, que maldade...
Hoje, sou eu quem duvida
que algum passo nessa vida
possa ser dado em certeza...
Só estou certo da beleza
do que eu sinto e que senti...
do que falei... do que menti...
Não me entristece a lembrança,
do que me falou a beira mar
parecia uma criança... contente só por brincar...
Naquele dia acertou...
acertou minha amada...
o tempo passou
e eu sinto a tua falta...
Mas saiba, meu amor:
Há pressa no que eu sou!
Saiba: O tempo corre!
E é certeza plena de que o amor morre!
Matheus Santos Rodrigues Silva
sábado, 15 de janeiro de 2011
A sombra de uma escolha IX
Cena 03:
*Prisco e Regina se encontram na praça. O mendigo está por perto a observar. Conversam*
(Prisco) – Olá. Como está?
(Regina) – Muito bem eu diria. Respiro poesia! E você? Que me diz?
(Prisco) – Estou bem, eu acho...
(Regina) – Não parece... o que houve?
(Prisco) – Só estou pra baixo...
(Regina) – Pois então cala e me ouve:
(Regina) – Ontem eu pensava em tudo que se passa.
(Regina) – Não pude evitar de me sentir sozinha...
(Regina) – Disse eu pra você, então: me abraça!
(Regina) – E senti que tua presença já era toda minha!
(Regina) – É egoísta, talvez, pensar assim.
(Regina) – Mas é forte demais pra se evitar.
(Regina) – Penso em você perto de mim...
(Regina) – E mais nada pode me afetar...
*Ela sorri docemente, ela sorri docemente...*
(Prisco) – Sinto não partilhar desta poesia...
(Prisco) – Sinto por estar neste tormento...
(Prisco) – Sinto não completar o que dizia...
(Prisco) – Eu sinto... sinto tanto e não enfrento...
(Regina) – Tormento? Não enfrenta? Do que fala?
(Prisco) – Aconteceu algo...
(Regina) – Mas o que?
(Prisco) – Algo que me atormenta...
(Regina) – Mas por que?
(Prisco) – Tinha um sonho e tentei... mandei textos a Lisboa... e agora, enfim, passei...
(Regina) – Mas é notícia boa! Conseguiu! Este é seu sonho!
(Prisco) – É sim...
(Regina) – Então, por que a agonia?
(Prisco) – Exigem-me algo que não queria...
(Regina) – Exigem? Como assim?
(Prisco) – Terei de viajar. Ir a Lisboa, só, pelo mar...
(Prisco) – Apresentar-me aos catedráticos. Prestar homenagem aos velhos homens.
(Regina) – Bem, não é tão dramático...
(Prisco) – Não poderei voltar...
(Regina) – Como assim? Por que não vai?
(Prisco) – Lá vou me formar. As custas destes homens. Depois vou ter de pagar...
(Regina) – Como?
(Prisco) – Lá permanecendo... estudando... desenvolvendo... E o reconhecimento virá...
(Regina) – Mas... mas pode voltar nas férias... pode vir cá as vezes...
(Prisco) – Eu sei que posso... mas não é o que desejo...
(Prisco) – Deixar-te presa aqui por um beijo... que nem sei se vou te dar...
(Regina)- Não! Não diga isso! Não importa!
(Regina) – Eu espero o quanto for! Mesmo que só me encontre morta, estará vivo o meu amor!
(Prisco) – Não diga isso... não merece... És um sonho... não te prendas...
(Regina) – Do que fala? O que quer? Se libertar? É o que pretende?
(Prisco) – Não! Nunca! Eu só não quero que sofra...
(Regina) – Vai a Portugal... quer estar livre não é? Quer curtir a vida! Me deixar, não é?
(Prisco) – Não... Jamais... eu só não quero que sofra...
(Regina) – Acha que eu sou idiota? Eu devo ser... O que eu fiz pra merecer?
(Prisco) – Regina, não... não faça assim... o que eu sinto não tem fim... Eu só não quero que sofra...
(Regina) – Pois então chega. Vá embora. Se decida e me informe.
(Prisco) – Como assim? Vamos falar...
(Regina) – Não posso... precisas decidir... por si só... não mais me ouvir...
(Prisco) – Mas...
(Regina) – Vá...
*Tudo escurece; Ambos somem da cena*
Matheus Santos Rodrigues Silva
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
A sombra de uma escolha VIII
Cena 02:
*Prisco sozinho; Passando pela rua; Pára na frente do mendigo; É abordado por um amigo*
(Prisco) – É inacreditável a minha sorte.
(Prisco) – Belo se trilhou o meu caminho.
(Prisco) – Agora não temo mais nem a morte!
(Prisco) – Venha o que for pois não estou sozinho!
(Prisco) – Ora, quem vejo chegando.
(Prisco) – Se não é o meu amigo louco, insano.
(Prisco) – Que até mesmo o nome não ouso pronunciar.
(Amigo) – Ora, qual! Você e suas gaiatices!
(Amigo) – Sou excêntrico não louco.
(Prisco) – Cuidado com o que dizes...
(Prisco) – Excêntricos são ricos e tu ganhas pouco.
(Amigo) – Vejo que seu bom humor se elevou...
(Amigo) – Qual teu motivo? Achou outro amor?
(Prisco) – Outro? Não entendo. Outro amor nunca tive.
(Amigo) – E enquanto a filha dos Boleno?
(Prisco) – Cosia de pele... eu já te disse.
(Amigo) – Mas diga lá, quem foi que achaste?
(Prisco) – A senhora augusta de meu coração!
(Prisco) – Cujo símbolo amado é o punho, a mão
(Prisco) – Fechada ela estava, e abriu-se a ela...
(Prisco) – Ascendeu-se esta vela no calabouço...
(Amigo) – Mão? Calabouço? Vela? Bebeste?
(Prisco) – Esqueça cadete... Não vais entender...
(Amigo) –Tente me explicar!
(Prisco) – Em verso... só em verso consigo expressar.
(Prisco) – Essa chama, veemente labareda que me fascina.
(Prisco) – Vem de uma fonte linda... o peito de uma menina...
(Prisco) – Beleza plena, em alma e em medo. E coragem para tê-la. Principalmente.
(Amigo) – Você está drogado... só pode ser.
(Prisco) – Só estou fascinado! De amor de saber!
(Amigo) – Saber? Que saber?
(Prisco) – Saber enrustido. Preso em meu peito, seta de fogo amigo.
(Prisco) – Libertou-me das cordas, soltou as amarras. As vistas... tão claras, serenas, tão lindas!
(Amigo) – Meu caro, piraste! Mas ainda é poeta! E é isso que importa. Preciso falar-te.
(Prisco) – Poeta? É só um título. Isso que é que não importa. Me fale, me conte.
(Amigo) – Os letrados de Lisboa. Leram seu escrito.
(Prisco) – Que notícia boa! E da boca de amigo!
(Amigo) – Pois é, tu tens sorte. É o novo favorito. Lhe exigem em Portugal, serás famoso, meu amigo!
(Prisco) – Eu consegui? Está vivo o meu sonho?
(Amigo) – Vivo e chorando! Recém nascido e pomposo.
(Prisco) – Oh! Que roupa eu ponho?
(Amigo) – Algo bem vistoso.
(Amigo) – São catedráticos e tradicionais. Apreciam o novo, mas só o velho lhes satisfaz.
(Prisco) – Poesia, poesia... poesia dourada. Ela não é vazia e não pode ser categorizada!
(Amigo) – Já conheço esse papo, mas sucesso vai ter! Se aquiete um bocado e o teu nome irá crescer!
(Prisco) – Tudo bem, eu aceito. Para quando é o vôo?
(Amigo) – Não é vôo é navio.
(Prisco) – Por que não avião?
(Amigo) – São excêntricos, amigo.
(Prisco) – Como não... como não...
(Prisco) – Onde me hospedo? Quanto tempo fico?
(Amigo) – Aí que está, se tiveres sucesso, não vais mais voltar.
(Prisco) – Como não? Eu sou livre!
(Amigo) – Claro que é! E pobre também.
(Prisco) – Isso não me convém...
(Amigo) – Vou bater-te! Não me obrigue!
(Prisco) – Como posso partir? Essa é minha terra!
(Amigo) – Nunca gostou daqui. De viver nessa guerra!
(Prisco) – Mas achei minha paz...
(Amigo) – De novo esse papo?
(Prisco) – Eu a amo, rapaz!
(Amigo) – É só paixão, só estado!
(Prisco) – Não é simples estado! Eu a amo de fato!
(Prisco) – Não é passageiro, nem papo, eu a amo, idolatro!
(Amigo) – O que achas que isto aqui significa? É um teatro, uma comédia, é passageiro! No palco tudo passa e nada fica! É assim que vai e some o mundo inteiro!
(Amigo) – Segunda, parte o teu barco.Até lá, terás de escolher.
(Amigo) – Perseguir seu sonho do outro lado, ou buscar teu amor e nessa guerra viver.
(Amigo) – Mas eu digo, amigo, escolhas bem! É uma chance única e muito grande!
(Amigo) – Aquilo que tens hoje, amanhã não tem! E a cada dia teu sonho está mais distante...
(Prisco) – Viver, eu, de poesia... mas sem ela?
(Prisco) – Como posso deixar um sentimento...
(Prisco) – Que bem rápido matou o meu tormento?
(Prisco) – Devo eu lançar-me ao mar e fechar a cela?...
*Fim da cena 02*
Matheus Santos Rodrigues Silva
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Pour Elise
Das vagas do mediterrâneo
surge a silhueta de um anjo sublime;
Dona de um ser tão humano
e de um sorrir que até mesmo oprime
por seu encanto...
Tez morena das mulheres do Midi...
alma serena, passo triste;
Olhar cortante do desengano...
Deus, que olhar insano!
Voz em descompasso, de afinação inventada;
Mulher de semblante casto, mas em mistérios ornada...
Qual o teu plano?
Bem vinda a esta terra, estrangeira...
Prometo mostrar-lhe o lugar;
Antes de partir , apresento-te a esta gente inteira!
Contanto que prometa voltar...
Matheus Santos Rodrigues Silva
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Marinheiro
Sombra etérea...
Vaga amarga de um mar antigo...
Apagou-se mais uma quimera...
Abatido fui por fogo amigo...
Alma... Reduto final de minha crença...
Não se inquiete mais.
A verdade pura já lhe satisfaz...
O devaneio puro é algo que não compensa...
Navegar... Errante nesse mar de mundo!
Procurando, meu deus, por um rumo,
mas nunca por amar...
Ah, mar... Já te perguntei sobre quantos amares
eu lançaria de meu canto pelos ares
e tão ligeiro foi que descobri...
Navega-se por ouro...
Navega-se por glória...
Não por amor...
Do mar se faz choro...
Do mar se faz história...
E se colhe dor...
No mar não se tem certeza do amanhã.
Só se conhece o hoje.
Qualquer quimera futura é vã...
Qualquer cultura é podre...
Ah, mar...
Agora me lanças um desafio...
Pois hoje não mais confio...
Nisso que se diz amar...
Matheus Santos Rodrigues Silva
Vaga amarga de um mar antigo...
Apagou-se mais uma quimera...
Abatido fui por fogo amigo...
Alma... Reduto final de minha crença...
Não se inquiete mais.
A verdade pura já lhe satisfaz...
O devaneio puro é algo que não compensa...
Navegar... Errante nesse mar de mundo!
Procurando, meu deus, por um rumo,
mas nunca por amar...
Ah, mar... Já te perguntei sobre quantos amares
eu lançaria de meu canto pelos ares
e tão ligeiro foi que descobri...
Navega-se por ouro...
Navega-se por glória...
Não por amor...
Do mar se faz choro...
Do mar se faz história...
E se colhe dor...
No mar não se tem certeza do amanhã.
Só se conhece o hoje.
Qualquer quimera futura é vã...
Qualquer cultura é podre...
Ah, mar...
Agora me lanças um desafio...
Pois hoje não mais confio...
Nisso que se diz amar...
Matheus Santos Rodrigues Silva
Assinar:
Postagens (Atom)